segunda-feira, 28 de julho de 2025
domingo, 13 de julho de 2025
Fogueira de festa junina: tradição e simbolismo em uma celebração
A fogueira de festa junina é um dos elementos mais emblemáticos e tradicionais dessa festividade tão querida no Brasil. Presente em comemorações realizadas durante o mês de junho, a fogueira é um símbolo de união, calor, alegria e renovação.
Neste guia completo, exploraremos
tudo sobre a fogueira de festa junina, desde sua origem histórica até seu
significado simbólico, além de fornecer dicas para fazer uma fogueira segura e
sugestões de decoração. Prepare-se para mergulhar na magia e na tradição
das festas juninas!
Origem histórica da fogueira de festa junina
A fogueira de festa junina tem
suas raízes na celebração do solstício de verão, uma tradição pagã que remonta
a tempos ancestrais. No hemisfério norte, essa celebração ocorre no dia 21 de
junho, marcando o início do verão. Já no hemisfério sul, onde o Brasil se
encontra, a festa junina é realizada em homenagem a São João, Santo Antônio e
São Pedro, padroeiros das festividades juninas.
Historicamente, a fogueira era
acesa em campos abertos como uma forma de reverência ao sol e como um símbolo
de proteção contra os maus espíritos e energias negativas. Acredita-se que o
fogo purificava e renovava as energias do ambiente, preparando-o para a chegada
de uma nova estação.
Significado simbólico da fogueira de festa junina
A fogueira de festa junina carrega
consigo um profundo significado simbólico. Além de representar a celebração do
solstício de verão e a renovação das energias, a fogueira é um símbolo de união
e confraternização. Ela é capaz de reunir pessoas ao seu redor, aquecendo os
corações e criando um ambiente de alegria e comunidade.
A chama da fogueira também é vista
como um elemento de purificação e proteção. Acredita-se que pular sobre as
chamas da fogueira traz sorte e afasta os maus espíritos.
Essa tradição é comum em muitas
festas juninas pelo país, especialmente no Nordeste brasileiro, onde a
celebração é intensa e cheia de fervor.
No calor da fogueira, a alegria é garantida. Fonte: Unsplash
Fonte Imagem: https://www.westwing.com.br/guiar/fogueira-de-festa-junina/
São João: historiador destaca a importância das festas juninas na cultura brasileira
Ele destaca que as celebrações têm
valor cultural, econômico e histórico, além de carregarem em si as marcas da
formação social brasileira. “É algo que mexe na nossa vida, uma festividade
extraordinária em todos os sentidos, econômico, cultural e histórico. O povo
ainda é o principal elemento da nossa festa junina.”
A primeira festa junina aconteceu
no Brasil no fim do século 16, trazida ao território pelos portugueses. Mas,
chegando aqui, a manifestação cultural foi incorporando elementos da cultura
indígena e africana, que se manifestam na culinária, na música e até na
vestimenta.
Dessa síntese, para Passos, surgiu
uma expressão cultural com características únicas.
“A quadrilha junina veio da
França, mas, quando chega aqui, se adapta e, ao invés de ‘anarriê’, criam-se
outros comandos adaptados à realidade brasileira, como “olha a cobra, olha a
chuva”. Essa mistura é de uma riqueza extraordinária e é um produto turístico
que movimenta a economia”, analisa.
Na conversa, Passos também fala
sobre o seu lançamento mais recente, o livro O Processo de Independência
do Brasil no Recôncavo Baiano, disponível pela editora da Universidade Federal
da Bahia (UFBA).
Confira a entrevista completa:
A principal origem das festas
juninas vem da Europa. Trazida para o Brasil pela colonização portuguesa, a
manifestação cultural incorporou elementos da cultura indígena e africana,
tornando-se única. Como podemos perceber essas características incorporadas,
por exemplo, na culinária?
Eu passei recentemente um São João
em Porto, em Portugal. Eles dizem que o melhor São Antônio é o de Lisboa e o
melhor São João é o do Porto. As características são bastante diferentes.
O mês de junho tem três grandes
santos: Santo Antônio, São João e São Pedro. São João talvez seja o de maior
sucesso aqui no Brasil. Então, em território brasileiro, a festa se adaptou à
realidade do país.
O São João é muito mais comemorado
na região do Nordeste do que nas demais regiões do Brasil. Não é que as outras
regiões não festejem. A mídia tenta vender Campina Grande (PB) e Caruaru (PE)
como as maiores festas. Tenta criar uma disputa. E aí, me perguntam: qual é o
maior São João do Brasil? A Bahia, por exemplo, foi por outra via e o São João
é do estado. São mais de 300 municípios festejando.
No governo Vargas, quando Domingos
Leonelli foi secretário de turismo, teve uma ideia genial de vender o São João
da Bahia. E, mesmo ali, há distinções. O São João de Cruz das Almas tem uma
característica, Bonfim tem outra, Cachoeira tem outra, e assim por diante. Cada
município tem uma determinada característica.
Agora, o padrão, por exemplo,
quando você chega na região do sertão, do semiárido, é ser o quentão a bebida
típica. Enquanto na região mais litorânea, é o licor, especialmente os licores
de jenipapo e de maracujá.
Cachoeira se distinguiu como o
maior fabricante de licor do Brasil. As pessoas vão inclusive para revender
para tudo quanto é lugar e criaram uma variedade de sabores enorme, além dos
tradicionais, como café, tamarindo, caju, cajá, coco, etc.
Existem também os elementos super
tradicionais. A gente tem, por exemplo, o milho e o amendoim, que são produtos
tipicamente juninos. O milho é um vegetal nativo das Américas. O México
comemora todos os anos o Festival do Milho e tem uma variedade grande. No Peru
também.
Nas nossas comemorações, o milho é
cozido ou assado. A gente faz canjica, pamonha, mingau, etc. Ou seja, deriva em
produtos mais tradicionais. A canjica e a pamonha são fundamentais no São
João.
O amendoim é cozido e comido
acompanhando o licor. O amendoim cozido, e não assado, é uma característica
muito específica também da região Nordeste. São esses produtos que ajudam a
celebrar essas festividades.
Também tem o queijo, que a
gente chama de queijo do reino, aquele queijo tipo cuia, que vem da Península
Ibérica.
Você citou exemplos que permitem
perceber a fusão das culturas portuguesa, indígena e afro-brasileira nas festas
juninas. Em que mais podemos perceber as características dessas três culturas
básicas de formação do Brasil?
O forró, por exemplo, veio da
Europa também, mas se adaptou, especialmente no Nordeste. Uma contribuição
imensa da cultura afro é o samba junino. Em Salvador, na Bahia, a maioria dos
bairros comemora com samba junino. É um gênero musical típico dessa época.
Agora, sobre o forró, a gente
também está falando do povo originário. O “arrastapé” é uma característica
indígena. Eles arrastam os pés nas danças deles. O cultivo da mandioca, que
produz o bolo de aipim, por exemplo, é uma herança também indígena, assim como
o milho.
Tem um livro do Darcy
Ribeiro, O Povo Brasileiro, onde ele teoriza sobre o Brasil e ele fala da
mandioca, que seria um tubérculo venenoso. Ou seja, tem todo um processo
químico necessário para você tornar ele comestível. São mais ou menos cinco
páginas do livro descrevendo esse processo.
A quadrilha junina veio da França
com um pouco da Holanda, mas, quando chega aqui, se adapta e, ao invés de
“anarriê”, criam-se outros comandos adaptados à realidade brasileira, como
“olha a cobra, olha a chuva”.
Essa mistura é de uma riqueza
extraordinária e é um produto turístico que movimenta a economia. O Carnaval da
Bahia, por exemplo, é uma das maiores festas públicas do planeta, que envolve
muita gente, mas o São João reúne mais gente e gera mais riqueza, porque
acontece em todos os lugares, as pessoas se deslocam mais, também se vendem
mais produtos. A economia realmente aquece.
Quando pensamos na culinária das
festas juninas, há também uma relação com o período de colheita, em especial na Europa. Ainda é forte essa
conexão entre a festa junina e o momento de fartura, mudança e virada?
Não há dúvida nenhuma. As pessoas
se preparam para alguns festejos que são marcantes no calendário cultural e
turístico, como o Carnaval e o São João. São dois festejos que mobilizam as
pessoas e as famílias.
Por exemplo, quando chega o São
João, as cidades tradicionais que festejam não têm rede hoteleira tão grande,
mas ela é logo ocupada. Então, o que fazem? As pessoas criam uma rede extra,
começam a alugar quartos, casas, etc.
Isso gera uma economia extra
fundamental que permite à pessoa sobreviver melhor o restante do ano. Então, é
uma festa que marca as vidas das pessoas. Eu me lembro de quando era
criança e como aguardava o São João. É algo que mexe na nossa vida, uma
festividade extraordinária em todos os sentidos, econômico, cultural e
histórico.
Faz parte da história. Por
exemplo, no São João no Porto, a comida típica é a sardinha assada. Quando
chega essa época, se falta a sardinha, as pessoas especulam e o preço sobe. O
céu fica carregado de balões. É uma coisa muito bonita.
Outra coisa característica do
Porto são aqueles martelinhos de plástico. A pessoa fica batendo um na cabeça
do outro. Antigamente, era com o alho poró. Então, é uma forma também de
sociabilidade. É um aglomerado de pessoas. Lembra muito a festa de ano novo em
Copacabana. Quando chega meia noite há a queima de fogos.
No Brasil, é uma festa tipicamente
caipira. É a festa do tabaréu, do camponês, rural. As pessoas usam calça jeans,
pregam uns retalhinhos, decoram a vestimenta, que, geralmente, é quadriculada.
Há toda uma indumentária típica do período dos festejos.
O primeiro registro de uma festa
junina no Brasil data do fim do século 16, cerca de 80 anos depois da invasão
europeia. Entre 1585 e 1590, o jesuíta português Fernão Cardim afirmou que,
aqui, a celebração seria “tomada” pelos indígenas. Ele dizia que o São João era
a festa que as comunidades mais gostavam. Atualmente, em alguns lugares,
a festa tem se elitizado. Mas, na sua avaliação, ainda existe o componente
popular?
O povo ainda é o principal
elemento da nossa festa junina. Eu sou oriundo do Recôncavo Baiano, onde, na
véspera da festa junina, as famílias se organizam, fazem canjica, cozinham
amendoim, fazem bolo de aipim, etc, e ficam aguardando as pessoas, os amigos.
Quando chegam, perguntam “São João passou por aí?”. Quando escutam a resposta
“passou”, entram, bebem licor, comem, saem e vão para outra casa. As pessoas
ficam circulando. Eu fiz muito isso na minha adolescência, ficar de casa em
casa. E isso ainda existe.
Mas há também cidades que
organizam grandes festas, contratam cantores caríssimos e armam barracas ao
redor que vendem cerveja. O típico deixa de ser protagonista. É uma atividade
muito comercial. Os hotéis enchem, as pessoas alugam casa e a economia circula,
mas perde o lado popular.
Mas as prefeituras que não
organizam o São João com esse modelo mantêm a tradição. Eu vejo, por exemplo, a
cidade de Maragogipe, onde as pessoas organizam blocos, compram camisa da mesma
cor, saem cantando e tocando as músicas juninas e entrando de casa em
casa.
A fogueira também é um elemento
super tradicional nesse período. A fogueira foi uma promessa de Maria com
Isabel, que é a mãe de São João Batista. Ela prometeu a Maria que, quando João
nascesse, ela acenderia uma fogueira no alto. E isso foi feito.
O Estado de Portugal surgiu mais
ou menos no século 12. Mas, já no século 11, encontraram registro da
comemoração do São João lá. Eles trouxeram esses santos para cá e se
popularizaram aqui. Junho é um mês cheio de festividades.
Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/bem-viver/2025/06/24/sao-joao-historiador-destaca-a-importancia-das-festas-juninas-na-cultura-brasileira/
A origem das festividades juninas
Durante o período colonial, os colonizadores portugueses trouxeram consigo suas tradições culturais, inclusive as festas juninas, que já faziam parte da cultura popular portuguesa.
As festividades juninas também têm suas raízes nas celebrações pagãs e religiosas associadas ao solstício de verão no hemisfério norte, que remontam a cultos realizados por diferentes povos ao redor do mundo para celebrar uma data que marca o período de maior luminosidade do ano, onde o solstício ocorre no final de junho. Essas celebrações eram comuns entre os povos celtas, germânicos e escandinavos em homenagem aos deuses da natureza e da fertilidade, e as fogueiras faziam parte da tradição.
Os colonizadores portugueses
adaptaram as festividades juninas ao contexto brasileiro, incorporando
elementos da cultura indígena e africana presentes no país. Assim, as festas
juninas no Brasil se tornaram uma mistura de influências, com danças típicas,
como a quadrilha, música, fogos de artifício e comidas tradicionais, como o
milho e a canjica.
A imigração portuguesa contribuiu
para a manutenção e a disseminação das festas juninas no Brasil, uma vez que os
portugueses trouxeram suas tradições e as compartilharam com a população local.
Essa fusão cultural entre os portugueses e as culturas nativas resultou em uma
celebração rica e diversificada, que se tornou uma importante expressão da
cultura brasileira.
Com o processo de conversão ao
cristianismo, a Festa Junina sofreu algumas mudanças. Considerando que a igreja
não conseguia acabar com sua popularidade, a Igreja Católica atribuiu as
festas juninas a santos populares, principalmente a São João Batista, São Pedro
e Santo Antônio. Esses santos passaram a ser celebrados nas festas juninas como
uma forma de vincular as tradições pagãs ao contexto cristão, os elementos e
símbolos das festas juninas foram reinterpretados dentro do contexto cristão.
A Fogueira
Para os pagãos no solstício de
verão e nos festejos juninos, a fogueira possui um significado simbólico e
ritualístico. O solstício de verão marca o ponto do ano em que o sol atinge sua
maior altura no céu e os dias são mais longos do que as noites, representando o
ápice do poder do sol e a celebração da fertilidade, da colheita e do ciclo da
vida.
A fogueira, nesse contexto,
simboliza a luz, o calor e o poder do sol. Ela é acesa como um ato de
reverência ao sol e como um meio de honrar e celebrar sua energia vital.
Acredita-se que pular sobre as chamas da fogueira ou circular ao seu redor
traga proteção, purificação e renovação para aqueles que participam do ritual.
Além disso, a fogueira também
tinha um propósito prático para os pagãos. Ela era usada para espantar os maus
espíritos e afastar insetos indesejados, além de proporcionar calor e
iluminação durante as festividades noturnas.
Com a cristianização das
festividades pagãs, a fogueira passou a ter um novo significado nos festejos
juninos, sendo associada à luz de Cristo e à purificação espiritual. No
contexto católico, a fogueira é abençoada pelo sacerdote e representa a
presença divina e a purificação dos fiéis.
Assim, a fogueira desempenha um
papel central nas festividades juninas, tanto para os pagãos quanto para os
cristãos, simbolizando a energia vital do sol, a renovação e a proteção
espiritual.
A música
A música desempenha um papel
fundamental nos festejos juninos no Brasil, e a influência portuguesa é uma das
principais nas tradições musicais dessas festividades. Os colonizadores
portugueses trouxeram consigo uma rica tradição musical, que se mesclou com as
influências indígenas e africanas presentes no país, resultando em uma
variedade de estilos e ritmos musicais nas festas juninas.
A música nos festejos juninos tem
características marcantes da música popular portuguesa, como a presença de
instrumentos como a viola, a sanfona (acordeão) e o tambor. Além disso, o
estilo musical conhecido como "música pimba", que é popular em
Portugal, também teve influência nas festas juninas brasileiras. A música pimba
é caracterizada por melodias animadas, letras simples e temas relacionados ao
amor, à festividade e à vida rural.
Um dos gêneros musicais mais
tradicionais e emblemáticos dos festejos juninos é o forró. O forró tem suas
raízes no Nordeste do Brasil e foi influenciado por diversos estilos musicais,
incluindo a música popular portuguesa. A presença de instrumentos como a
sanfona (acordeão), a zabumba (um tipo de tambor) e o triângulo na música de
forró pode ser atribuída à influência portuguesa. A sanfona, em particular, é
um instrumento de destaque nas festas juninas e tem origem europeia, sendo
trazida pelos colonizadores portugueses.
Além do forró, outros estilos
musicais como o baião, o xote e o arrasta-pé são comumente executados nas
festas juninas. Esses estilos possuem influências tanto da música portuguesa
quanto de elementos musicais indígenas e africanos, criando uma sonoridade
única e contagiante.
As letras das músicas nos festejos
juninos muitas vezes tratam de temas relacionados à vida no campo, ao amor, à
festividade e às tradições juninas. As canções costumam ser alegres, animadas e
convidam as pessoas a dançar e se divertir.
A dança
A dança também está intimamente
ligada à música nos festejos juninos. Sua origem remonta ao século XIX, durante
o período colonial brasileiro, e sua evolução está relacionada à influência das
danças de salão europeias, especialmente a contradança.
A contradança sofreu
adaptações e assimilações às culturas locais tornando-se uma dança popular
nas festividades juninas brasileiras. A partir dessas transformações, surgiu a
quadrilha junina como uma manifestação específica para celebrar as festas
juninas.
A quadrilha possui passos
coreografados e é realizada em pares, com figuras e comandos que são anunciados
por um marcador. É uma dança coletiva, realizada em grupos e organizada em
pares de dançarinos. Cada par tem uma posição específica no salão e segue
comandos dados pelo marcador, que anuncia os passos e as figuras da dança. As
figuras da quadrilha incluem saudações, trocas de pares, evoluções em círculo,
formações em cruz e outras sequências coreografadas.
Além dos passos coreografados, a
quadrilha junina também possui características visuais marcantes. Os
participantes vestem trajes típicos, geralmente inspirados na vestimenta
camponesa do século XIX, com vestidos e saias rodadas para as mulheres e trajes
de camponeses para os homens. Os trajes são coloridos, adornados e contribuem
para a atmosfera festiva.
Ao longo dos anos, a quadrilha
junina se tornou uma tradição popular em todo o Brasil, com variações regionais
e estilos específicos em diferentes localidades. A dança é realizada em festas
juninas, arraiais, escolas, clubes e diversos eventos culturais.
Janine
Moraes-MinC
Comida típica
O milho é um ingrediente essencial
nas comidas típicas dos festejos juninos no Brasil. Sua origem remonta aos
povos indígenas que cultivavam e consumiam o milho há milhares de anos antes da
chegada dos colonizadores europeus. Ele simboliza a colheita, a abundância
e a conexão com a natureza, sendo utilizado em rituais, festividades e como
ingrediente central em pratos festivos. O milho é uma representação dos ciclos
da vida, da renovação e da gratidão pela terra e seus frutos.
Com a colonização e a introdução
de novos ingredientes e técnicas culinárias, o milho passou a ser utilizado de
maneiras variadas nas festas juninas. Durante o período colonial, os
portugueses também trouxeram suas próprias tradições culinárias, que se mesclaram
com a cultura indígena e africana, resultando na diversidade de pratos que
temos hoje nas festividades juninas.
Entre as comidas típicas à base de milho nas festas juninas, destacam-se o bolo de milho, a canjica, a pamonha, o curau, a pipoca, o milho verde cozido e a paçoca de amendoim, que geralmente são consumidos quentes ou em temperatura ambiente. Esses pratos são preparados de diferentes maneiras, utilizando-se o milho em sua forma fresca, em grãos, em forma de farinha ou de fubá.
Essas comidas à base de milho
estão associadas à colheita e à fartura, já que o milho é uma planta muito
cultivada e abundante no Brasil. Além disso, o milho é rico em carboidratos e
fibras, proporcionando energia e saciedade, características importantes para
enfrentar as festividades e as danças típicas dos festejos juninos.
O milho também está relacionado a
crenças e superstições ligadas ao período junino. Acredita-se, por exemplo, que
as plantações de milho fiquem protegidas de pragas e perigos durante as festas
juninas. Além disso, há a tradição de fazer uma simpatia de plantar um pé de
milho durante o São João para trazer prosperidade e abundância.
O milho é um ingrediente versátil
e simbólico, associado à colheita, à fartura e ao sabor característico das
festas juninas.
Fonte Imagem: https://ufrb.edu.br/bibliotecacecult/noticias/377-a-origem-das-festividades-juninas
terça-feira, 8 de abril de 2025
sexta-feira, 14 de março de 2025
ARTES & OFÍCIOS: Pau a pique
As primeiras casas construídas no Brasil foram de taipa, sistema de construção que usa o barro molhado. Isolante térmico e que não pega fogo com facilidade, a taipa é utilizada na construção desde a antiguidade no mundo. Não existe consenso entre os historiadores sobre a origem desse modo de construção no Brasil. Entende-se que possa ser resultado da simbiose de matrizes portuguesas, indígenas e africanas.
No Brasil, esse tipo de construção foi largamente utilizado desde o período colonial até praticamente o início do século 20, e neste último século, notadamente nas áreas rurais. O uso de paredes de pau-a-pique era muito comum por ser um estilo de construção feito com materiais encontrados na própria natureza. São muitas vezes associadas apenas às residências rurais já que a maioria da população vivia no campo.
Existem dois tipos de técnicas de taipa, a taipa de mão, igualmente denominada de pau-a-pique, a taipa de sopapo, a taipa de sebe e o barro armado. É indevidamente denominada de casa de estuque no noroeste fluminense, sendo incorreto, pois no estuque entra outra composição de materiais. Trata-se de uma técnica que consiste no entrelaçamento de madeira ou bambu ou pau roliço ou taquara, na vertical, fixados no solo. Cipós ou outro material amarram a trama.
O barro e a água são amassados com os pés ou com o pilão até se obter uma massa compacta que é misturada a fibras vegetais, a exemplo do capim ou da palha. Alguns acrescentavam sangue e estrume de gado. Os vãos são preenchidos com essa mistura. Em lados opostos, na parede interna e externa, ficavam duas pessoas e ambas atiravam o barro ao mesmo tempo contra a estrutura de madeira formando as paredes da casa.
Quando a massa socada atinge mais da metade da parede recebe, transversalmente, pequenos paus roliços envolvidos em folhas, geralmente de bananeiras, que produzem orifícios cilíndricos para o formato de novas paredes. Essa técnica é usada para formar tanto as paredes internas como as externas. Uma base de pedra é colocada sob a casa, nas extremidades, afastando-a do solo aproximadamente entre 50 a 60 centímetros para evitar a umidade do chão.
No passado, as pessoas passavam o dia inteiro no campo cuidando da lavoura desde as primeiras horas do dia. Quando retornavam às suas casas faziam uma refeição e iam logo em seguida repousar. Os corpos cansados da labuta no amanho da terra, a ausência de luz, o custo de acender os lampiões, tudo isso contribuía para que essas residências fossem apenas dormitórios.
O telhado é formado normalmente por palhas de sapê e as paredes não se estendem até o teto, possivelmente para facilitar a circulação do ar. A casa poderia receber acabamento alisado ou ainda caiação. O cal servia para evitar a proliferação de insetos. A construção de pau-a-pique quando mal executada pode se degradar em pouco tempo, apresentar rachaduras e fendas, se tornando alvo de roedores e insetos que se instalam nas aberturas. Por isso, esse tipo de residência é geralmente associado ao barbeiro, inseto transmissor da doença de chagas. Todavia, quando devidamente rebocada não há o perigo da instalação do barbeiro nas paredes.
Curiosamente, esse tipo de construção virou moda e muitas
pessoas atualmente optam por casas de pau-a-pique por serem ecologicamente
corretas. Não obstante serem providas de algum conforto revela uma memória
afetiva de como viveram os nossos antepassados.
Fonte Imagem: https://www.ecologs.com.br/duvidas-sobre-madeiras/pau-a-pique/