sábado, 6 de agosto de 2022
Milonga e Forró: dois bailes populares
Os Gaúchos - cultura e identidade masculinas no Pampa
"Esta obra, traduzida para o português de seu formato de tese de doutorado defendida em inglês, tardou trinta anos a vir a lume – e só pôde fazê-lo graças à riqueza do acervo amealhado pela autora ao longo de seus dois anos de pesquisa de campo. O resultado é uma verdadeira caverna de Ali Babá aberta à visitação e reflexão, tantos são os tesouros que ali reluzem.
A riqueza do trabalho etnográfico conduzido na campanha gaúcha (...) sobre os gaúchos é notável, sobretudo se pensarmos o quanto envolveu de coragem e perseverança (...) a aventura de enfrentar e adentrar um mundo masculino de fronteiras rígidas ciosamente defendidas por seus membros."
LUIZ FERNANDO DIAS DUARTE (Prefácio)
"O livro da Ondina Fachel Leal se deixa ler de modo tão agradável, tão envolvente, tão fluente, que de nada necessita para fazer sentido, ou melhor, para fazer sentidos, salvo a presença de uma inteligência aberta para penetrar nos mistérios da vida humana, neste caso aquela vida que ela encontrou na fronteira sul do Brasil, entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai pampeanos."
LUÍS AUGUSTO FISCHER (Apresentação)
quinta-feira, 4 de agosto de 2022
Botas de Garrão de Potro
Embora o nome seja bota de garrão de potro, na
verdade, raramente eram feitas do couro de potros.
Esse foi um dos primeiros calçados criado no
século XVIII, fez parte da indumentária daquela época, eram usadas pelos índios
(nossos nativos), pelos gaúchos camponeses, peões das fazendas, changadores
(homens de negócios) e depois pelos tropeiros de mula, enfim, pelos povoadores
do Pampa Gaúcho. Os ginetes costumavam usar esse tipo de botas que eram cômodas
e baratas, facilitava a mobilidade dos dedos dos pés e adaptação da forquilha
das esporas para se estribar. Também há botas desse tipo em que é costurado,
fechado, na ponta do pé.
Antes destas botas havia as “botas de vaca” onde a história comprova esta veracidade através da Ata do Cabildo de Montevidéu do mês de agosto do ano de 1785.
Sabemos que os animais cavalares sempre foram de
enorme importância e valia, pois eles servem nas montarias para as tropeadas,
nas lides de campo, nos rodeios, paras os transportes puxando carroças e
charretes. Os cavalos foram úteis para os estafetas que eram os antigos
entregadores de correspondências, também às parteiras. Os cavalos deram uma
grande contribuição aos militares nos exércitos, nos patrulhamentos, nas
guerras. A carne serve para o consumo humano e, por longa data, o couro desses
animais foi matéria-prima que movimentou pequenas indústrias familiares dentre
as quais as das botas.
Para a confecção desses objetos de meio pé, depois
do animal morto, tira-se um pedaço de pele das patas através de um
corte transversal na cocha e outro acima do casco onde na curva tem o talão que
depois da bota pronta esse talão é aquela extensão da bota que fica junto ao
calcanhar humano. Em termos práticos retira-se os restos de carne e as gorduras
do couro e após secar é engraxado e sovado com paciência para as botas
ficarem macias e flexíveis e então já se pode calçar sem a necessidade de
dar forma e, muitas vezes, sem o emprego da costura. A durabilidade dessas
botas numa atividade constante gira, de acordo com o uso, num tempo compreendido
de cerca de três meses. As botas garrão de potro, o pala bichará e o
tirador eram indumentárias usadas pelos gaúchos de antigamente.
Hoje usa-se as botas garrão de potro mais para
manter a tradição e com isto mantém-se viva a arte de trabalhar com couro e
resgatar a cultura gaúcha.
Milonga: o poema e a música na tradição gaúcha
Estilo musical e de dança tipicamente gaúcho, a Milonga é um dos ritmos mais apreciados no Rio Grande do Sul, tendo, desde seu surgimento até os dias atuais, se modificado, assumindo diversas variações. Conheça um pouco da história da Milonga no artigo de Andressa Zoi Nathanailidis!
Originária da Habanera, a Milonga é um estilo musical que nasce na Argentina, à segunda metade do século XIX, expandindo-se para Uruguai e Brasil, em função das proximidades fronteiriças.
No Brasil, o estilo integra a cultura gaúcha, tendo sido a primeira “milonga brasileira” gravada em 1968: a Milonga do Bem Querer, composição de Cláudio Pinto, cuja performance coube ao Trio Farroupilha, renomado difusor desse estilo musical no país. A composição serviu para inspirar muitas outras peças que atestam ser a Milonga, hoje, um dos ritmos favoritos no Rio Grande do Sul.
Tradicional execução em meio às “payadas“ – eventos de improvisação poética, nos quais a poesia oral é performada em conjunto com o acompanhamento de violão ou guitarra -, a Milonga é, geralmente, uma música escrita em compassos quaternários e desenvolvida por meio de tonalidades menores, com andamentos lentos.
Apesar disso, atualmente, a Milonga tem assumido diversas variações. Embora existentes em menor quantidade, tais variações chamam atenção por trazerem novas propostas, frutos dos hibridismos estabelecidos entre o modelo original e as múltiplas tradições conservadas no país.
Além da guitarra e do violão, hoje as performances integram também outros instrumentos, como, por exemplo, a flauta, o violino e a sanfona. Também já são conhecidas composições de ritmo um pouco mais acelerado, cuja inspiração parte de outros estilos, a exemplo do Candomblé, do Jazz e do Samba. Entre as variações há, inclusive, aquelas desenvolvidas em tonalidade maior que contam com escalas menores em sua estrutura, o que passa ao ouvinte a impressão dolente, de certa melancolia.
O termo “milonga“, cuja etimologia decorre do idioma bundo-congolense (presente em Angola e Congo, respectivamente), significa “palavra”. Além da canção popular regionalista, serve para designar a dança associada a tal estilo musical: geralmente instituída em passos lentos e largos, que se assemelham muito ao Tango argentino.
Texto extraído de: https://terradamusicablog.com.br/milonga-ritmo-gaucho-e-danca-2/
A história da milonga
A milonga também é chamada por ritmo rio-platense, porque é comum na
área de Argentina, Uruguai e Rio Grande Sul. Embora o ritmo seja muito
conhecido na Argentina, teve muita influência no Rio Grande do Sul, formando
parte das tradições gaúchas.
O termo “milonga” vem de uma palavra africana que significa “palavra”, também fazem a relação às origens com alguns tipos de danças africanas que se dançavam entre um homem e uma mulher, o que também se tornou uma característica da milonga.
No início, a milonga era um tipo de poema cantado, onde as letras
eram mais importantes do que a música. Quando este ritmo foi evoluindo, as
músicas viraram mais complexas e um pouco mais rápidas. Este ritmo
surgiu no século XIX com os gaúchos argentinos e depois se introduziu ao Brasil
pela fronteira com Argentina. Era uma música principalmente cantada pelos
“payadores” acompanhados pela guitarra, logo depois se incorporaram
instrumentos como a flauta, o piano e o violino.
A milonga foi influenciada por outros ritmos como o candombe, a mazurca e a valsa, e foi se formando o tango, ritmo que se tornou famoso mundialmente e foi evoluindo paralelamente à milonga. O termo milonga depois virou conhecido por ser uma dança, similar ao tango. Porém, o jeito de dançar milonga muda por regiões, por exemplo, a milonga rio-grandense gaúcha é uma dança calma.
Pelas influencias à dança, ela possui giros lentos entre outros cortantes, lembrando os ganchos e sacadas do tango. Em 1968 o conjunto Farroupilha gravou pela primeira vez uma milonga no Rio Grande do Sul, “A Milonga do Bem Querer”.
Na Argentina, o local onde as pessoas vão dançar tango, o salão de bailes,
também é chamado de milonga.
Texto extraído de: https://www.reporterriograndense.com.br/2019/04/a-historia-da-milonga.html
A Milonga e o Pampa: atravessamentos culturais entre Brasil, Argentina e Uruguai
Para acessar o artigo na íntegra: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/1123/925
terça-feira, 6 de julho de 2021
Contos gauchescos e lendas do Sul
Esta edição de Contos gauchescos e Lendas do Sul é uma oportunidade única de leitura de um grande clássico da literatura brasileira. A obra máxima de João Simões Lopes Neto (1865-1916) se baseia na experiência direta no mundo campeiro gaúcho, da fazenda de criação de gado, assim como da tradição guerreira da fronteira do Brasil com os países do Prata. Forjando personagens impressionantes e criando cenas de intensa força, resultado do confronto entre os sentimentos mais humanos como o amor, a sobrevivência, a luta pela domesticação da natureza, Simões Lopes Neto universaliza sua literatura ao abordar temáticas caras a autores contemporâneos seus, tais como Monteiro Lobato no Brasil, Horacio Quiroga no Uruguai, além de Joseph Conrad e Rudyard Kipling, ambos pertencendo ao universo inglês.
sexta-feira, 2 de julho de 2021
Cultura Missioneira: a necessidade de um resgate
ELEMENTOS CULTURAIS DOS ÍNDIOS GUARANI NO RIO GRANDE DO SUL
A cultura guarani prestou importante contribuição para a origem e o desenvolvimento da identidade do gaúcho nos dois lados do rio Uruguai. Conhecer um pouco mais essa cultura, sua estrutura simbólica, sua língua, seu modo de ser, sua religiosidade e sua história se faz de suma importância para o desenvolvimento de um estudo futuro acerca da constituição da(s) identidade(s) do povo gaúcho. Apresentamos aqui um breve estudo, baseado em material bibliográfico, com destaque para as obras de Bartomeu Meliá, Antonio Ruiz de Montoya e Pierre Clastres, contribuições da história e da antropologia que nos fazem refletir sobre os vários aspectos e características que fundamentam a cultura e a vida guarani. Aliados a observações de campo no convívio com uma aldeia guarani, buscamos fundamentar nosso estudo com o propósito da coleta de elementos dessa cultura que sejam relevantes para a construção simbólica do gaúcho, sobretudo do gaúcho brasileiro.
Para acessar o artigo na íntegra:
https://home.unicruz.edu.br/mercosul/pagina/anais/2014/DIREITO%20A%20OPINIAO%20E%20A%20EXPRESSAO/ARTIGO/ARTIGO%20-%20ELEMENTOS%20CULTURAIS%20DOS%20INDIOS%20GUARANI%20NO%20RIO%20GRANDE%20DO%20SUL.PDF
A origem do Sangue Gaúcho, do Povo do Riogrande
Os indígenas que viviam nas terras onde hoje é o Rio Grande do Sul, antes da chegada dos europeus, pertenciam a três grupos: os Guaranis (também conhecidos como Tape, Arachane e Carijó), os Jê (grupo que os Kaingang fazem parte) e os Pampianos (grupo formado por Charruas e Minuanos). Os Guarani ocupavam o litoral, a parte central até a fronteira com a Argentina, os Jê habitavam parte norte junto a Santa Catarina, e os Pampianos se localizavam ao sul junto do Uruguai.
Expressões da cultura gaúcha
Este livro examina diferentes expressões da cultura gaúcha que ocorrem no Rio Grande do Sul, no resto do Brasil e na Argentina. Por meio de diferentes óticas, os autores examinam fenômenos como o tradicionalismo, a alimentação, o vestuário, as técnicas corporais, a literatura, a oralidade e a mídia nativa.
















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