quarta-feira, 11 de março de 2026
quinta-feira, 5 de março de 2026
O Boi, a dança e as crianças: festa, folguedo e brincadeira em experiências de infâncias na cidade de Manaus
Apresentamos neste artigo um olhar sobre a centralidade das crianças na festa e na brincadeira do boi de Garrote na cidade de Manaus. Atentos a possibilidade de relacionamos sentidos do lazer às ricas relações da experiência cultural, propomos uma aproximação de uma das manifestações do boi-bumbá, que guarda vários universos de práticas de acordo com sua região. Em um universo em que, para muitos moradores da cidade, era visto como algo que não mais existia, buscamos revelar como este folguedo é uma prática viva e atuante, que revela modos de interação social entre crianças e suas vizinhanças. Ao problematizarmos sua manifestação como tempo-espaço observamos diversos modos de organização que escapam aos sentidos modernos do espetáculo e da vida fragmentada e individualizada. Ao estabelecer relações entre a dança, a criança, a educação e a cultura, buscamos caminhos de aproximação do lazer com o campo antropológico, enfatizando na cultura popular uma maneira singular de brincar o boi e uma prática criada para e pelas crianças.
https://periodicos.ufmg.br/index.php/licere/article/view/1769/1213
Fonte Imagem: https://www.portodelenhanews.com.br/noticia/id/8791/mais-de-20-municipios-do-am-tem-bois-bumbas-como-protagonistas-em-festejos
FÉ E DEVOÇÃO: o significado de ser folião do Divino Espírito Santo
O estudo surgiu da necessidade de
maiores conhecimentos envolvendo uma tradição secular, onde a devoção em ser
folião e um resgate ao passado é uma das marcas principais para a execução do
mesmo. Nesse sentido, um dos pilares desse projeto é prezar pelas manifestações
culturais de Monte do Carmo – TO, principalmente voltada para a devoção do
folião em nos giros da folia pelo sertão e na cidade. Tem por objetivo
principal fundamentar a estrutura cultural e geográfica da fé e da devoção dos
giros da folia do Divino Espirito Santo em Monte do Carmo, bem como entender a
importância desta demonstração de tradição para o anseio cultural. Tendo como
procedimentos metodológicos a execução de uma revisão bibliográfica minuciosa
com tópicos como a geografia cultural, que é um dos pilares para produção deste
projeto, e uma entrevista realizada pela acadêmica deste projeto aos foliões
que fazem a folia acontecer. Deste modo, conclui-se pensando no que importante
para a festa na cidade, vendo que é necessário refletir sobre a importância do
papel do folião dentro do contexto da festa, sendo ele o carro chefe dessa
cultura rica em cantos, danças e com manifestações de fé e devoção no ato e
amor de ser folião da festa do Divino Espirito Santo.
https://repositorio.uft.edu.br/bitstream/11612/3097/1/Delma%20Batista%20Tur%C3%ADbio%20-%20Artigo.pdf
Resistência negra: Ingredientes típicos de África se tornam base da culinária brasileira
Dos terreiros e das senzalas, saberes ancestrais de mulheres escravizadas construíram paladar do país
Quiabo, coentro, inhame, leite de coco, pimenta malagueta, noz moscada, café, gengibre, jiló, amendoim e azeite de dendê. Não importa em que lugar do país você esteja, se procurar na sua cozinha certamente vai encontrar pelo menos um desses ingredientes.
O que eles tem em comum? São uma pequena parte dos alimentos típicos de África que foram trazidos para o Brasil nos navios negreiros e hoje são fundamentais na culinária do país, provando a importância da resistência negra na nossa cultura.
E não são apenas ingredientes, mas muitas das receitas e dos modos de fazer que fazem parte do dia a dia dos brasileiros tem como origem os saberes ancestrais de africanos escravizados, em especial das mulheres. Afinal, eram elas que cozinhavam nas casas grandes a partir de seus conhecimentos tradicionais. Assim, elas introduziram na culinária brasileira receitas saboreadas em diversas regiões, como cocada, angu, cuzcuz, pamonha, quindim, mungunzá, moqueca e vatapá.
Vale lembrar que as pessoas de África escravizadas encontraram também ingredientes nativos do Brasil e modos de preparo típicos da Europa e de diferentes etnias indígenas. Elas souberam incorporar esses sabores e aprimorar receitas, conquistando diferentes paladares e dando origem a chamada gastronomia afro-brasileira.
“No lugar o inhame começaram a usar mandioca, para substituir o sargo passaram a usar o milho, para compensar algumas faltas de pimentas, começaram a utilizar condimentos que já tinham no Brasil”, exemplifica o chefe de cozinha Marcelo Reis, que se dedica a culinária afro-brasileira. “Os negros observaram os pratos preparados pelos indígenas, como o pirão, a moqueca e o bobó e os enriqueceram com produtos africanos, como o leite de coco. Eles também entraram em contato com os animais criados pelos colonizadores e assim surgiram receitas como vatapá, o sarapatel o xinxim de galinha. Se os traficantes de escravos traziam ingredientes, os escravizados traziam na memória os usos e os gostos de suas terras, segredos de nossos ancestrais.”
Acarajé começou a ser vendido por mulheres negras alforriadas e hoje é principal prato da culinária baiana / Divulgação/ Fundaj
Parte importante da gastronomia afro-brasileira tem origem nos terreiros de candomblé, criados como as chamadas comidas de santo, que eram entregues a entidades espirituais como oferendas. É o caso do famoso acarajé, tombado como patrimônio cultural do Brasil. Ele começou a ser vendido em tabuleiros, em Salvador, por mulheres negras alforriadas e hoje é o carro-chefe da culinária baiana, ao lado do vatapá, do caruru e do abará.
Quem apendeu a cozinhar nos terreiros é cozinheira Solange Borges, de Camaçari, na Bahia, que é filha e neta de baianas de tabuleiro, que vendiam alimentos típicos da cultura afro-brasileira pelas ruas das cidades. “O povo de terreiro, no qual eu me incluo, e os terreiros são responsáveis por savalguardar este patrimônio que é a culinária afro-brasileira. Um dos exemplos mais incríveis é o caruru de Cosme e Damião. O quiabo é da descendência, é um alimento que a gente trouxe para a mesa. Mesmo sempre santos católicos, com o sincretismo a gente fez essa comemoração, que é uma oportunidade de homenagear os inquices como um todo.”
Hoje, Solange trabalha no projeto Culinária de Terreiro, fundado por ela mesma, que tem o objetivo de preservar e valorizar os alimentos típicos da culinária afro-brasileira. Ela mesma produz a farinha de mandioca e o dendê-de-pilão que usa nas receitas, ambos feitos no fogão a lenha.
“Minha mãe era condomblecista e eu com seis anos frequentava os terreiros. Eu vi essa efervescência que é a cozinha, esse ambiente colorido, festivo, alegre, de muita afetividade, com muitos cheiros e afetos. A gente foi aprendeu nesse espaço sem nem perceber que estavam passando informações, era tipo uma brincadeira”, lembra.
Mas, sem dúvida, um dos pratos mais típicos da culinária afro-brasileira é a famosa feijoada, um símbolo da gastronomia nacional. Com diferentes versões, que variam de opções vegetarias àquelas apenas carnes nobres, o prato é tradicionalmente um cozido de feijão com carne de porco, que acompanha arroz, farofa de mandioca, couve, fatias de laranja e pimenta.
Ela é servida em geral às quartas e sábados nos restaurantes do país, mas cada família tem sua receita, desenvolvida a partir de sabores e saberes africanos, como lembra do chefe Marcelo Reis. “São receitas que não só alimentam os Orixás mas também minha essência. É todo um receituário que faz do comer uma ancestralidade que vem do meu povo, que foi escravizado.”
Assim, a resistência negra se faz presente diariamente na mesa dos brasileiros, como um símbolo de luta por justiça social e como marca da formação da cultura brasileira.
Texto extraído de: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/
Fonte Imagem: https://www.brasildefato.com.br/podcast/alimento-e-saude/2021/11/16/resistencia-negra-ingredientes-tipicos-de-africa-se-tornam-base-da-culinaria-brasileira/






