domingo, 20 de dezembro de 2020

Percepção e Experiência Poética: estudo para uma análise de “Campo Geral”, de J. Guimarães Rosa








Esta dissertação de mestrado faz uma análise da novela “Campo Geral”, de Guimarães Rosa, considerando a percepção sensorial da personagem Miguilim. Antes, porém, há um estudo sobre a percepção sensorial na obra de Rosa, em que se consideram algumas idéias do filósofo Merleau-Ponty. Analisam-se trechos de Boiada (anotações que Guimarães Rosa fizera em sua viagem pelo sertão), além de passagens retiradas de “São Marcos”, “A hora e a vez de Augusto Matraga” e Grande Sertão:Veredas. Discute-se, sobretudo, a relação entre a percepção sensorial das personagens e o caráter poético da linguagem de Rosa. Inclui-se, nesse estudo, também a relação entre o corpo da palavra e o corpo do leitor. Na análise da novela “Campo Geral”, trabalha-se com a experiência do visível. O olhar míope da personagem Miguilim revela uma experiência de ordem poética e de resistência a um mundo que reduz o corpo a um instrumento de trabalho. Por fim, analisa-se a formação de Miguilim como contador de estórias. Essa atividade elabora sentidos para as percepções sensoriais da personagem e mostra ser recurso importante no enfrentamento da morte e na afirmação da alegria, temas fundamentais de “Campo Geral”.

Para acessar a dissertação completa: https://core.ac.uk/download/pdf/296836246.pdf

Grande sertão, 60 anos (2017)

 




Dossiê Guimarães Rosa

 


Hoje, depois de vinte anos de andanças pelo sertão de Minas, no rastro das estórias de Guimarães Rosa, é essa a frase que abre o primeiro folheto de divulgação desse sertão, pelo Circuito Guimarães Rosa.

Para acessar o artigo completo: http://www.scielo.br/pdf/ea/v20n58/01.pdf

domingo, 6 de setembro de 2020

Do angu ao leitão (Parte 5 - Final)

 Para fecharmos esta série, segue o vídeo #praentender A comida mineira inspirado nos livros 'História da arte da cozinha mineira por Dona Lucinha', de Maria Lúcia Clementino Nunes e Márcia Clementino Nunes' e 'Feijão, angu e couve', de Eduardo Frieiro.


Fonte Vídeo: https://www.em.com.br/app/noticia/90-anos/2018/08/07/interna_90_anos,978423/praentender-video-explica-a-historia-da-comida-mineira.shtml

Do angu ao leitão (Parte 4)

 A relação entre a culinária mineira e o desenvolvimento de Minas Gerais no século XVIII


Artigo de:
Daniela Almeida Raposo Torres - Universidade Federal de São João Del Rei/UFSJ
Bruna Lívia Martins - Universidade Federal de São João del-Rei/UFSJ
Amanda Almeida Raposo - Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG

Este trabalho tem como objetivo demonstrar, através deanálise histórica ede dados estatísticos, a influência da atividade econômica mineratória nas Minas Gerais do século XVIII no desenvolvimento da culinária mineira.Destaca-se também o uso da análise espacial para identificar o impacto da mobilidade demográfica, do processo migratório e ocupacional durante este período e suas influências sobre a constituição da culinária mineira. Esta demonstração será iniciada pelos aspectos econômicos e sociais de Minas Gerais no século XVIII e finalizadapelas análises sobre a formação da culinária mineira eda sua importância na história e na cultura de Minas Gerais.

Para acessar o artigo completo: https://diamantina.cedeplar.ufmg.br/portal/download/diamantina-2016/238-402-1-RV_2016_10_09_00_44_19_376.pdf



Fonte Figura:
https://m.facebook.com/PontoMineiroFoz/photos/a.161881437290621/1834928683319213/?type=3&refsrc=http%3A%2F%2Fwww.google.com%2F&_rdr


Do angu ao leitão (Parte 3)

A culinária caipira da Paulistânia - a história e as receitas de um modo antigo de comer 


Artigo de Arilson Favareto - Universidade Federal do ABC/UFABC



Fonte Figuras: https://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/4136-a-culin%C3%A1ria-caipira-da-paulist%C3%A2nia-resgata-a-hist%C3%B3ria-e-as-receitas-de-um-modo-antigo-de-comer.html#

Do angu ao leitão (Parte 2)

"Muito comumente, as pessoas tinham ouro. E não o que comer."
No texto a seguir, Blima Bracher trata do tropeirismo e da surgente cozinha mineira...



Texto extraído de: https://blimabracher.uai.com.br/gastronomia/receitas-e-historias/origem-do-feijao-tropeiro-e-da-gastronomia-em-minas/
Fonte Figura: https://tecnonoticias.com.br/blogs/cozinhafacil/noticias/feijao-tropeiro/ 


Origem do feijão tropeiro e da gastronomia em Minas

Minas começa sua história com a corrida pelo ouro no final do século XVII e início do século XVIII na região de Ouro Preto; e pelos diamantes, em Diamantina. As pessoas se enriqueciam rápido e a noticia de ouro em abundância trouxe milhares de forasteiros em busca do metal. Pouca comida para muita gente, agravada pela natural dificuldade de transporte, vindos os alimentos sempre de longe, carregados pelos tropeiros. Se os bolsos estavam cheios, o estômago estava vazio.

Cito aqui trecho do livro “Ouro Preto –Olhar Poético”, escrito por meu pai, Carlos Bracher: “De maneira geral, a questão alimentícia era gravíssima. Segundo ditado popular da época, “farinha serve para três coisas: engrossa o fino, esfria o quente, aumenta o pouco”. Os cereais vinham da região de Ouro Branco e as carnes do sertão mineiro, vindas em boiadas desde a Bahia ou até mesmo do Rio Grande do Sul. Muito comumente, as pessoas tinham ouro. E não o que comer.”

Entra em cena a figura do tropeiro, que vinha em mulas carregadas de charque do sul ou da Bahia, toucinho, farinha de milho e feijão. Eles andavam com grandes caldeirões, e durante a viagem, misturam estes ingredientes secos (para não azedaram), acrescidos de sal e alguma erva fresca que encontrassem pelo caminho. Surgia assim o famoso feijão tropeiro.

Aos poucos começa-se a criar galinhas e a se plantar couve e verduras. Uma plantinha que era comestível e que crescia em torno das igrejas era muito apreciada durante os longos sermões. Daí o nome ora-pro-nobis.

Voltamos aqui a citar Carlos Bracher, em “Ouro Preto –Olhar Poético”: A culinária mineira, de procedência direta portuguesa, teve ainda influência chinesa (nos guisados, no uso do frango e especiarias de ricos sabores). Inusitada e riquíssima vem a ser a contribuição da culinária africana, emprestando à comida um paladar forte e picante, à frente a feijoada e o bambá-de-couve, podendo ser com-jaleco ou sem-jaleco, isto é, com ou sem carne. Mas os pratos clássicos em Minas são o tutu à mineira (engrossado com farinha), o feijão tropeiro (feito pelos viajantes), o frango ao molho pardo e o frango com quiabo, feitos em panela de pedra-sabão e no fogão à lenha.As saladas não foram muito incrementadas, em parte pela terra mineral, ruim. Só a couve foi mais usada (junto ao angu e nas feijoadas) e o ora-pro-nobis, plantados nos quintais caseiros, onde também se cultivavam salsinha, cebolinha e os chás de várias espécies.”

Os doces tinham lugar de destaque e eram variados: o doce-de-leite, o arroz-doce, a goiabada, a marmelada e o pé-de-moleque, mexidos em grandes tachos de cobre. A rapadura e a cachaça eram muito consumidas. O queijo tinha uso diário nas mesas e todas as fazendas o produziam..

Do angu ao leitão (Parte 1)

 Esta é a primeira da série de postagens sobre a Cozinha das Minas Gerais. O texto a seguir introduz o tema, contextualizando-a diante de dois cenários:  o de escassez, no auge da mineração do ouro, e o de fartura, com a ruralização da economia regional. 




Texto extraído de: https://www.mg.gov.br/conheca-minas/cozinha-mineira

Minas de muitos sabores

Chão de cimento queimado, fogão construído a partir de técnicas tradicionais, quando não feito a partir dos cupinzeiros que surgem nos pastos ou de latões embutidos nas grossas paredes de adobe. Linguiças ou carnes defumando, dependuradas. Chaminé ativa, fumaça subindo pelo céu, avisando com seu aroma típico da roça que há quitandas ou "comidas de angu" esperando os comensais.

Que mineiro nunca viveu essa experiência gastronômica típica mineira, nem que seja em um dos muitos restaurantes típicos de comida mineira? São muitos os cereais, são muitas as formas de se fazer um angu com fubá de moinho d'água, de refogar verduras da horta ou dos quintais, como couve, almeirão, taioba, cansanção, ora-pro-nobis... O que dizer do quiabo, da abóbora-menina, da abobrinha? E o pastel de angu? E o galopé? E o chuchu com bacalhau? O torresmo crocante, a carne na lata de gordura, o pernil temperado, o leitão à pururuca, o feijão tropeiro, o franguinho caipira? Não há como não venerar essa raiz cabocla, caipira que temos nas Minas Gerais e que faz da nossa cozinha uma das mais saborosas do país, recebendo influências que vão dos indígenas aos africanos, passando, obviamente, pelos colonizadores europeus. Por isso, a chamada cozinha tradicional ou típica mineira foi forjada a partir dos séculos XVIII e XIX e em dois momentos distintos e complementares: o de escassez, no auge da mineração do ouro, e o de fartura, com a ruralização da economia regional.

Essa origem e composição da cozinha tradicional e típica mineira que a nós foi legada nos remete à análise de dois períodos históricos que marcaram a vida econômica, social, política e cultural em Minas Gerais: o período da mineração, cujo apogeu se deu no século XVIII; e o período da "ruralização", momento de concentração da vida econômica e social nas fazendas, que sucedeu ao declínio das minas e durou do final do século XVIII até o início do século XX.

Alguns dos principais pratos da culinária regional mineira, como o feijão tropeiro, o angu de milho verde ou de fubá com frango, a paçoca de carne seca, farofas, couve, o lombo e o pernil assados, leitão à pururuca, o torresmo, o tutu e toda uma série de pratos em que predominam as carnes de porco e de frango atravessaram os séculos até chegar a nós como um verdadeiro manjar dos deuses para agradar ao céu de nossa boca...


Tradição renovada

Dos índios vieram o escaldado, o pirão, a paçoca, as farofas, os pratos à base de mandioca e de milho, que se derivaram para as canjicas, mingaus e papas. Dos portugueses proveio a utilização do ovo da galinha, que propiciou um farto rendimento culinário: fritadas, doces, bolos, ovos cozidos, estrelados, quentes, moles, baba-de-moça, doce de ovos, fios de ovos e gemada com vinho do Porto. O açúcar conquistou a todos. Escravos, sertanejos, caçadores, romeiros tinham na rapadura com farinha uma provisão nacional. Em Minas, melado com farinha e, mais tarde, com queijo, tornou-se receita consagrada de geração em geração. Surgia a sobremesa, que nativos e africanos desconheciam, reproduzindo-se e recriando-se doces que já eram parte da tradição portuguesa, adicionados a elementos nacionais como amendoins e castanhas nativas, pacovas (bananas da terra), cajus, araçás e ananases. As compotas aproveitaram as frutas nativas e aquelas que o português trouxe para os quintais brasileiros. 

Os engenhos locais forneceram a rapadura, melado ou açúcar. A preferência pelo doce em relação às frutas foi uma influência lusa que se mantém até os dias atuais com muita variedade e fartura nas mesas tradicionalmente mineiras.


Misturas finas

Nas casas, no cotidiano, a lógica da economia de tempos difíceis impôs os alimentos cozidos e o aproveitamento de tudo, inclusive das sobras, gerando composições igualmente saborosas. As farofas e as sopas aproveitavam as sobras de carnes, legumes, feijões e verduras, que ainda compõem o cardápio do mineiro contemporâneo. O mexido, uma mistura de tudo que sobrou, era comido na primeira refeição da manhã, antes da saída para a lida ou no jantar. Esse prato perdura ainda hoje, sobretudo em fazendas, no interior de Minas Gerais ou nas madrugadas da capital mineira, em muitos restaurantes de cardápio mais popular e nos botecos.

O lombo, a leitoa e a galinha assados eram pratos de festa, de domingo, de visitas. Na intimidade do dia-a-dia, os cozidos predominavam: o feijão, o angu, o mexido, verduras e legumes cozidos, ou os legumes com carne,  frango com quiabo, por exemplo, mandioca e canjiquinha com carne, podendo ser costela ou suã de porco, costela de vaca e outros.


Pés no chão, olfato na cozinha

Leite em abundância, queijos variados e ovos possibilitaram a ampliação das quitandas e doces - legados da tradição portuguesa. A canjica com leite era sobremesa constante nas fazendas e, em algumas casas, era a ceia mais apreciada antes de se deitar. Com o acréscimo do amendoim, fez-se a nossa canjicada. A carne de vaca se tornou mais presente na mesa mineira, mas demorou um século para substituir o costume de consumir, preferencialmente, carne de frango e de porco, que ainda hoje predominam nos pratos típicos. A presença do café também se tornou definitiva. O bule no fogão a lenha é um forte elemento do cenário da cozinha mineira, onde o café, sempre quentinho, era servido acompanhando as quitandas, no encerramento das refeições, ou na primeira refeição do dia, adoçado com rapadura.


Quitandas e queijos

Em Minas, o queijo, que hoje é uma das mais fortes identidades culinárias do Estado, foi importado de outras regiões do país, até o final do século XVIII. No cardápio do início do século XIX, os queijos apareciam citados à sobremesa, acompanhando doces ou como complemento de ceias noturnas. No café da manhã, acompanhavam farinha, café, ou angu com leite.  A expansão do consumo de queijo em Minas ocorreu como conseqüência da necessidade de se aproveitar o leite nos locais da província onde se intensificava a pecuária. Hoje, o queijo de Minas ou frescal é iguaria mineira disputada por turistas de todo o país e artigo vendido nos aeroportos quase como um souvenir da cultura gastronômica regional.


Referência bibliográfica: Abdala, Mônica Chaves in Revista do Arquivo Público Mineiro, Ano XLII - N º 2 - Julho-Dezembro de 2006.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Identidades mineiras

 Onde o mineiro estiver ele carrega consigo as nossas identidades. Seja no jeito de falar, de e expressar ou nos gostos, principalmente, culinários. Em termos de comida, o mineiro é exigente. (na foto abaixo do Deocleciano Mundim uma tradicional venda antiga em Lagoa Formosa MG. A venda ficou mais atraente ainda com o velho orelhão da Telemig e duas bicicletas bem antigas)



O mineiro sabe perfeitamente identificar um queijo mineiro de verdade. Se o pão de queijo não é de Minas Gerais, só de olhar ele já sabe. Nem precisa experimentar. Se a comida é realmente mineira, feita de acordo com as tradições culinárias de Minas, ele percebe facilmente. Isso se chama identidade com Minas Gerais, coisa que só mineiro entende. Está na alma mineira.  

Quem é mineiro é facilmente identificado por essas identidades.


UAI

 
Dificilmente mineiro não fala Uai, mesmo o mais erudito dos mineiros, vez ou outra deixa escapar um uai. Isso porque o Uai está na nossa raiz, na nossa origem, no nosso mineirês desde o século 19. Uai é nossa identidade. Mineiro que se preze e valoriza suas origens, fala uai com muito orgulho.


TREM

 
Em Minas trem é tudo e tudo é um trem, mas um trem não é literalmente, um trem. Pode ser uma comida, uma rua, uma casa, uma roupa, uma árvore, um ônibus, um carro, um avião, um computador... Em Minas a palavra trem significa tudo que o mineiro gosta, não gosta ou não sabe bem o que é. (foto acima de César Reis)


QUEIJO

 
Queijo corre nas veias do mineiro desde o século 18. É tradição mineira fazer queijo. Seja fresco o curado, no café ou no preparo das quitandas, mineiro, Minas e queijo tem tudo a ver. (foto do Queijo Roça da Cidade de São Roque de Minas/Divulgação)


PÃO DE QUEIJO

 
Do queijo surgiu uma das mais deliciosas quitandas do mundo. O nosso pão de queijo. Mineiro nunca fala “pão de queijo mineiro” porque o pão de queijo é mineiro. Se existe outro tipo de pão de queijo sem ser o mineiro, é cópia mal feita. O mundo todo sabe que pão de queijo é de Minas Gerais, a mais fina identidade mineira, tão importante quanto nosso uai. Falou em Minas, vem logo à mente, pão de queijo. (Foto acima de Regina´s Farm/Fazendinha da Regina) 


BISCOITO DE QUEIJO

 
Só perde para o pão de queijo em termos de tradição e identidade mineira. Qual mineiro não gosta de biscoito? O preferido e tradicional é sem dúvida o biscoito de queijo. Com café coado à beira do fogão, num coador de pano... Hum... nem se fala. 


FOGÃO A LENHA

 
No interior mineiro o fogão a lenha ainda está presente nas cozinhas, como há séculos. Dizem que não existe unanimidade, mas em se tratando de fogão a lenha, com certeza, todos afirmam que a comida tem um sabor diferente da feita no fogão a gás. É sem dúvida, a comida mais gostosa. Essa é a única unanimidade que eu conheço. Ainda mais aquela comida feita em panelas de ferro ou de pedra sabão. A figura do mineiro proseando a beira de um fogão a lenha é real, tradicional e comum até os dias de hoje no nosso interior, seja na zona rural ou na cidade. Na minha casa na cidade, tenho fogão a lenha e forno de barro.


FORNO DE BARRO

 
Por falar em forno de barro, esse não falta nos quintais dos sítios e fazendas de Minas. Na cidade também. Para assar broas, pão de queijo, biscoitos, roscas e rosquinhas são os preferidos. Junto com o fogão a lenha, é nossa identidade gastronômica, valoriza nossa rica culinária e nosso jeito mineiro de ser. (foto acima de Nilza Leonel)


ARTESANATO MINEIRO

 
A vocação mineira pelas artes vem desde os tempos antigos e o talento mineiro para o artesanato é reconhecido internacionalmente. O artesanato mineiro é uma das mais importantes identidades de Minas Gerais, principalmente o artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha, na foto, de Ernani Calazans, artesanato da artesã Alice Costa, de Minas Novas, que dá identidade a Minas e ao Brasil.  


NAMORADEIRA DE JANELA

 
Nos tempos antigos as moças mineiras que queriam se casar, não saiam para as ruas ou bailes para procurar pretendentes. Era tradição ficar encostada nas janelas de suas casas a espera de um bom pretendente. Se o rapaz se interessasse pela moça, procurava o pai e pedia a dama em namoro. A arte replicou essa tradição do século 19 em Minas, criando as famosas namoradeiras de janela, hoje decorando janelas de boa parte das casas mineiras. (foto acima de Sônia Fraga em Ouro Preto MG)


PANELAS EM PEDRA SABÃO

 
Pedra sabão é uma rocha abundante em Minas, principalmente na região do quadrilátero ferrífero, onde está Ouro Preto e Ouro Branco, onde se concentra boa parte das rochas de pedra sabão no Brasil. Além do artesanato variado que a pedra sabão origina, as panelas feitas com a rocha estão presentes nas cozinhas mineiras desde os tempos do Brasil Colônia. São panelas maravilhosas, perfeitas para o cozimento e o sabor da comida é outra coisa. Deliciosa mesmo. (foto acima do Chico do Vale)


ORATÓRIO

 
Antigamente existiam muitas comunidades rurais e os padres tinham dificuldades em dar atenção a todos. A fé e religiosidade do povo mineiro sempre foram fortes e mesmo na ausência da Igreja em suas comunidades, não deixavam de manifestar sua fé. Assim surgiram as rezas semanais do terço, cada semana numa casa diferente, onde todos da comunidade compareciam, já que não tinha como ter missa todos os domingos. Em cada casa tinha um pequeno oratório, onde as famílias rezavam. A prática de ter um oratório em casa existe até os dias de hoje. Faz parte das tradições mineiras e demonstração de fé do nosso povo. A simplicidade da fé e religiosidade do mineiro é uma forte identidade mineira. (foto acima de Ane Souz no Museu do Oratório de Ouro Preto MG)


CARNE NA LATA 

 
Conservar a carne do porco na banha é uma prática existente em Minas desde o final do século XVII. Com a chegada dos bandeirantes ao território mineiro, em busca de ouro, surgiu a necessidade de armazenar alimentos, já que o território era imenso e as viagens longas. Assim surgiu a carne na lata, presente até os dias de hoje em nossas mesas, não por falta de geladeira para conservar as carnes, mas porque é uma das nossas identidades e a carne armazenada na lata na banha é muito saborosa. (fotografia acima de Nilza Leonel)

Outro costume que hoje quase ninguém se lembra, era a forma de gelar cerveja no século passado. No interior mal tinha energia elétrica naqueles tempos, quem dera geladeira. Mas tinham quem não dispensava uma cervejinha de vez em quando. A forma de mantê-la fria era bem simples. Pegavam as garrafas e as enterravam nos bancos de areia às margens dos rios e ribeirões. Assim elas ficavam frias e dependendo da época, como no inverno, bem geladas. Interessante não? 


SINO

 
Mais de 70% do patrimônio histórico nacional está em Minas Gerais, principalmente igrejas. São milhares de igrejas por todo o estado. As igrejas mais antigas têm duas torres, cada uma com um campanário para sino. As mais modernas, uma torre apenas. Isso fez com que nosso estado fosse considerado a terra dos sinos. Tocar sino é uma arte. O sineiro é um artista que entende e muito de música. O badalar dos sinos é Identidade mineira e a profissão de sineiro, valorizada e reconhecida. Tanto é que o badalar dos sinos em Minas é Patrimônio Imaterial do Estado, reconhecido pelo Iepha. (foto de César Reis em Tiradentes MG)


QUEIJO COM GOAIBADA 
 

Há mais de 200 anos que queijo com goiabada faz parte da nossa identidade. Nossa mais importante sobremesa. A partir da década de 1960 o Brasil e o mundo passaram a conhecer melhor nossa sobremesa e foi só provarem para coloca-la no cardápio. Hoje está presente em todos os cantos do mundo. Há mais de 200 anos que nós mineiros sabemos disso. O melhor queijo do Brasil com a goiabada mineira é fenomenal. É a cara de Minas! (Foto acima de Lucas Rodrigues/Queijo do Dinho de Piumhi MG)


TACHO DE COBRE

 
A cena de fazer doces nos tachos de cobres é comum até os dias de hoje nas cozinhas das fazendas e até em casas na cidade mineiras. Sabe por que a preferência do mineiro pelo tacho de cobre? Porque ele preserva a cor original da fruta. Ou seja, o doce de mamão fica verdinho, de laranja da terra, amarelo. O doce de limão fica da cor do limão. O doce de figo (na foto acima de Lourdinha Vieira) fica da mesma cor quando os frutos foram colhidos. Por isso que nossos doces são feitos no tacho de cobre, que além de manter a cor original, preserva o sabor original das frutas também. Não são a toa que nossos doces sempre foram considerados os melhores. Pronto, contei nosso segredo.


MANCEBO E COADOR DE PANO

 
Mancebo é uma armação maior em madeira ou ferro que sustenta o coador. Nesse caso, o bule é grande e o coador também. Isso porque as famílias antigamente eram numerosas. Para as famílias pequenas existe a mariquinha, que é mesma coisa do mancebo, mas só que bem menor, com um pequeno coador e uma caneca esmaltada, no lugar do bule. Seja num mancebo ou numa mariquinha, coar café no coador de pano é identidade de nosso povo do interior, desde os tempos antigos até os dias de hoje. Em minha casa, na cidade, o café é coado num coador de pano sobre esse mancebo que vê ai na foto. Sou mineiro, uai!


ESMALTADOS

 
Bule, chaleira e principalmente canecas esmaltadas não faltavam nas casas mineiras. Era um luxo só! Estavam presentes nos currais para tomar leite ao pé da vaca, no bule, para tomar aquele cafezinho feito na hora. Mesmo hoje com tanta coisa nova, os esmaltados não saíram de moda e continua sendo sonho de consumo e luxo nas casas mineiras, usadas até como enfeites. É uma identidade mineira que realça a beleza da nossa cozinha. (foto acima de Chico do Vale)


VIOLA CAIPIRA

 
A viola faz parte da alma mineira, é uma das nossas identidades culturais, presente em Minas desde os tempos do Brasil Colônia. Presente na vida das famílias mineiras seja no campo ou na cidade. Uma cena comum e tradicional são as rodas de viola á beira de uma fogueira, entoando canções que retratam a vida do povo do interior. Na cidade, era instrumento imprescindível nas românticas serestas ao luar. Viola é tão importante para Minas que foi reconhecida como Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado de Minas. Viola é a alma musical do mineiro.


DOCE DE LEITE

 
Minas sempre foi destaque na produção de leite no Brasil. Atualmente é o maior produtor e claro, produz o melhor doce de leite. Ainda estamos numa briga danada com os argentinos, sobre quem inventou o doce de leite. Nós mineiros ou os Hermanos. Eu tenho certeza que fomos nós, isso faz tempo, desde o século 18 o doce de leite existe em Minas. Mas deixa essa briga pra lá, o importante é que doce de leite é uma das mais antigas e fortes tradições da nossa culinária. Saiu das senzalas das fazendas mineiras para nossa mesa. Doce mineiro é o melhor do Brasil, sem dúvida e combina perfeitamente com o nosso queijo Minas. Mineiro sentado numa mesa com queijo e aquele docindileite, tudo a ver.


PANELA DE FERRO

 
Além da panela em pedra sabão, outra panela é uma de nossas identidades. É a panela de ferro fundido. No final do século 19 e início do século 20, os famosos caldeirões de ferro já dominavam as cozinhas mineiras. Era raro não serem encontradas nas cozinhas das casas na cidade e das fazendas. As panelas são resistentes, duram décadas e muitas delas passam de geração a geração. Em Minas tem famílias que tem essas panelas e caldeirões com mais de 150 anos de uso. Uma cozinha mineira sem panela de pedra sabão e de ferro, não é cozinha mineira. Elas dão mais sabor à nossa rica gastronomia e nos identificam.


FESTA DO REINADO

 
As cores vivas dos estandartes e das roupas coloridas dos reinadeiros revelam a mais pura identidade religiosa mineira, já incorporada à vida do nosso povo (na foto acima em Bom Despacho MG). As comemorações em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, que começa em julho e se estende até outubro, por todas as cidades mineiras, teve origem no século 18, com o escravo Chico Rei, em Ouro Preto. Antes uma festa de origem negra, hoje é festa de todo o povo mineiro, expandida para outros estados brasileiros. As congadas com seus cortes são uma das mais belas manifestações folclóricas e religiosas de Minas. Uma das mais fortes identidades mineiras.


GOIABADA CASCÃO

 
Uma das mais gostosas identidades mineiras. A receita saiu das senzalas para nossa mesa. Eles faziam o doce cremoso de goiaba normal, com a polpa da, para os senhores. E nas cozinhas das senzalas, eles aproveitavam a casca inteira e a polpa e fazia para si o doce que chamavam de goiabada. Pela grande quantidade de cascas grandes da fruta que ficavam à mostra no doce, acrescentaram a palavra cascão. Assim ficou, goiabada cascão, mais apreciada que o doce comum de goiaba. Quer conhecer a original e única goiabada cascão? Conheça São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto MG (na foto acima, Dona Doquinha, uma das mais antigas doceiras de São Bartolomeu, batendo a goiabada cascão no tacho). Lá é a terra desse doce. Experimenta a Cascão com doce de leite mineiro e queijo Minas. É divino. Mineiro tem bom gosto não é?


LICOR

 
A bebida é de origem europeia, veio para Minas Gerais com os portugueses no período do Ciclo do Ouro. Com a grande quantidade de frutas que existe no Brasil, a bebida logo caiu no nosso gosto, passando a estar presente em todas as casas mineiras. Nas salas, as visitas eram recebidas com licor, um sinal de amizade e descontração. Até os dias de hoje é assim. Licor faz parte da nossa identidade e pelo talento que o mineiro tem para criar receitas, foi até aprimorado. Além do licor de frutas tropicais, temos hoje licor de chocolate, café e outros sabores.


BOLO DE FUBÁ ASSADO NA BRASA

 
Num tempo em que não existia trigo no Brasil, no início da colonização, o fubá e o polvilho eram o ingredientes para tudo. Do fubá surgiram várias receitas tradicionais mineiras, como as broas e o bolo de fubá na brasa. Além do trigo, não existia fermento, mas existia bicarbonato e fogão a lenha. Não tinha forno de barro ainda não. A criatividade mineira se sobressaiu. A massa era feita, colocada numa panela de ferro e ia para o fogão em brasa. Por cima colocavam uma chapa de ferro e brasa ardente. Quem já experimentou bolo assim sabe o quanto é saboroso. E o cheiro exala pela casa toda e fica guardado em nossa memória aquele cheirinho bom. Bolo assado na brasa é uma identidade mineira marcante, pela delícia que é.


CARRO DE BOIS

 
Antigamente, carro de bois era um trem que servia pra tudo. Era carro funerário, transportava mercadorias, servia de lotação e nas fazendas, era pau pra toda obra. O ouro de Minas ia para o porto de Paraty em carros de bois. Com o surgimento da indústria automobilística, foram com tempo caindo em desuso, se restringindo a poucas atividades nas fazendas. Mas é uma das mais nostálgicas identidades mineiras, tanto é que todos os anos, praticamente em toda Minas, as carreadas de carros de bois estão presentes. (foto acima de Wilson Fortunato)


CAFÉ NO COADOR DE PANO

 
E por fim, termino com café porque é minha bebida café. Minas sozinha lidera a produção de café no Brasil com a qualidade dos grãos reconhecida internacionalmente, com várias premiações nos principais concurso internacionais de café. (foto acima de Chico do Vale) A bebida desde o século 18, quando os primeiros grãos de café foram plantados na Zona da Mata Mineira, virou tradição. É uma bebida imprescindível no dia a dia do mineiro. Mesmo antigamente, indo pra roça trabalhar, o mineiro levava seu cafezinho numa cabaça. Hoje leva na garrafa térmica. Tem uma história que diz que entre paciência e café, o mineiro prefere a paciência porque se der café a ele, com certeza, vai tomar tudo, de tanto que adora café.


Texto extraído de: https://www.conhecaminas.com/2019/09/as-principais-identidades-mineiras.html
Fonte Figuras: https://www.conhecaminas.com/2019/09/as-principais-identidades-mineiras.html