domingo, 20 de dezembro de 2020
Percepção e Experiência Poética: estudo para uma análise de “Campo Geral”, de J. Guimarães Rosa
Grande sertão, 60 anos (2017)
Dossiê Guimarães Rosa
Hoje, depois de vinte anos de
andanças pelo sertão de Minas, no rastro das estórias de Guimarães Rosa, é essa
a frase que abre o primeiro folheto de divulgação desse sertão, pelo Circuito
Guimarães Rosa.
Para acessar o artigo completo: http://www.scielo.br/pdf/ea/v20n58/01.pdf
domingo, 6 de setembro de 2020
Do angu ao leitão (Parte 5 - Final)
Para fecharmos esta série, segue o vídeo #praentender A comida mineira inspirado nos livros 'História da arte da cozinha mineira por Dona Lucinha', de Maria Lúcia Clementino Nunes e Márcia Clementino Nunes' e 'Feijão, angu e couve', de Eduardo Frieiro.

Do angu ao leitão (Parte 4)
A relação entre a culinária mineira e o desenvolvimento de Minas Gerais no século XVIII
Este trabalho tem como objetivo demonstrar, através deanálise histórica ede dados estatísticos, a influência da atividade econômica mineratória nas Minas Gerais do século XVIII no desenvolvimento da culinária mineira.Destaca-se também o uso da análise espacial para identificar o impacto da mobilidade demográfica, do processo migratório e ocupacional durante este período e suas influências sobre a constituição da culinária mineira. Esta demonstração será iniciada pelos aspectos econômicos e sociais de Minas Gerais no século XVIII e finalizadapelas análises sobre a formação da culinária mineira eda sua importância na história e na cultura de Minas Gerais.
Para acessar o artigo completo: https://diamantina.cedeplar.ufmg.br/portal/download/diamantina-2016/238-402-1-RV_2016_10_09_00_44_19_376.pdf
Do angu ao leitão (Parte 3)
Para acessar o artigo completo:
https://revistaesa.com/ojs/index.php/esa/article/view/ESA27-1_a_culinaria_caipira/ESA27-1_a_culinaria_caipira_PDF
Do angu ao leitão (Parte 2)
Minas começa sua história com a corrida pelo ouro no final do século XVII e início do século XVIII na região de Ouro Preto; e pelos diamantes, em Diamantina. As pessoas se enriqueciam rápido e a noticia de ouro em abundância trouxe milhares de forasteiros em busca do metal. Pouca comida para muita gente, agravada pela natural dificuldade de transporte, vindos os alimentos sempre de longe, carregados pelos tropeiros. Se os bolsos estavam cheios, o estômago estava vazio.
Cito aqui trecho do livro “Ouro Preto –Olhar Poético”, escrito por meu pai, Carlos Bracher: “De maneira geral, a questão alimentícia era gravíssima. Segundo ditado popular da época, “farinha serve para três coisas: engrossa o fino, esfria o quente, aumenta o pouco”. Os cereais vinham da região de Ouro Branco e as carnes do sertão mineiro, vindas em boiadas desde a Bahia ou até mesmo do Rio Grande do Sul. Muito comumente, as pessoas tinham ouro. E não o que comer.”
Entra em cena a figura do tropeiro, que vinha em mulas carregadas de charque do sul ou da Bahia, toucinho, farinha de milho e feijão. Eles andavam com grandes caldeirões, e durante a viagem, misturam estes ingredientes secos (para não azedaram), acrescidos de sal e alguma erva fresca que encontrassem pelo caminho. Surgia assim o famoso feijão tropeiro.
Aos poucos começa-se a criar galinhas e a se plantar couve e verduras. Uma plantinha que era comestível e que crescia em torno das igrejas era muito apreciada durante os longos sermões. Daí o nome ora-pro-nobis.
Voltamos aqui a citar Carlos Bracher, em “Ouro Preto –Olhar Poético”: A culinária mineira, de procedência direta portuguesa, teve ainda influência chinesa (nos guisados, no uso do frango e especiarias de ricos sabores). Inusitada e riquíssima vem a ser a contribuição da culinária africana, emprestando à comida um paladar forte e picante, à frente a feijoada e o bambá-de-couve, podendo ser com-jaleco ou sem-jaleco, isto é, com ou sem carne. Mas os pratos clássicos em Minas são o tutu à mineira (engrossado com farinha), o feijão tropeiro (feito pelos viajantes), o frango ao molho pardo e o frango com quiabo, feitos em panela de pedra-sabão e no fogão à lenha.As saladas não foram muito incrementadas, em parte pela terra mineral, ruim. Só a couve foi mais usada (junto ao angu e nas feijoadas) e o ora-pro-nobis, plantados nos quintais caseiros, onde também se cultivavam salsinha, cebolinha e os chás de várias espécies.”
Os doces tinham lugar de destaque e eram variados: o doce-de-leite, o arroz-doce, a goiabada, a marmelada e o pé-de-moleque, mexidos em grandes tachos de cobre. A rapadura e a cachaça eram muito consumidas. O queijo tinha uso diário nas mesas e todas as fazendas o produziam..
Do angu ao leitão (Parte 1)
Esta é a primeira da série de postagens sobre a Cozinha das Minas Gerais. O texto a seguir introduz o tema, contextualizando-a diante de dois cenários: o de escassez, no auge da mineração do ouro, e o de fartura, com a ruralização da economia regional.

Chão de cimento queimado, fogão construído a partir de técnicas tradicionais, quando não feito a partir dos cupinzeiros que surgem nos pastos ou de latões embutidos nas grossas paredes de adobe. Linguiças ou carnes defumando, dependuradas. Chaminé ativa, fumaça subindo pelo céu, avisando com seu aroma típico da roça que há quitandas ou "comidas de angu" esperando os comensais.
Que mineiro nunca viveu essa experiência gastronômica típica mineira, nem que seja em um dos muitos restaurantes típicos de comida mineira? São muitos os cereais, são muitas as formas de se fazer um angu com fubá de moinho d'água, de refogar verduras da horta ou dos quintais, como couve, almeirão, taioba, cansanção, ora-pro-nobis... O que dizer do quiabo, da abóbora-menina, da abobrinha? E o pastel de angu? E o galopé? E o chuchu com bacalhau? O torresmo crocante, a carne na lata de gordura, o pernil temperado, o leitão à pururuca, o feijão tropeiro, o franguinho caipira? Não há como não venerar essa raiz cabocla, caipira que temos nas Minas Gerais e que faz da nossa cozinha uma das mais saborosas do país, recebendo influências que vão dos indígenas aos africanos, passando, obviamente, pelos colonizadores europeus. Por isso, a chamada cozinha tradicional ou típica mineira foi forjada a partir dos séculos XVIII e XIX e em dois momentos distintos e complementares: o de escassez, no auge da mineração do ouro, e o de fartura, com a ruralização da economia regional.
Essa origem e composição da cozinha tradicional e típica mineira que a nós foi legada nos remete à análise de dois períodos históricos que marcaram a vida econômica, social, política e cultural em Minas Gerais: o período da mineração, cujo apogeu se deu no século XVIII; e o período da "ruralização", momento de concentração da vida econômica e social nas fazendas, que sucedeu ao declínio das minas e durou do final do século XVIII até o início do século XX.
Alguns dos principais pratos da culinária regional mineira, como o feijão tropeiro, o angu de milho verde ou de fubá com frango, a paçoca de carne seca, farofas, couve, o lombo e o pernil assados, leitão à pururuca, o torresmo, o tutu e toda uma série de pratos em que predominam as carnes de porco e de frango atravessaram os séculos até chegar a nós como um verdadeiro manjar dos deuses para agradar ao céu de nossa boca...
Dos índios vieram o escaldado, o pirão, a paçoca, as farofas, os pratos à base de mandioca e de milho, que se derivaram para as canjicas, mingaus e papas. Dos portugueses proveio a utilização do ovo da galinha, que propiciou um farto rendimento culinário: fritadas, doces, bolos, ovos cozidos, estrelados, quentes, moles, baba-de-moça, doce de ovos, fios de ovos e gemada com vinho do Porto. O açúcar conquistou a todos. Escravos, sertanejos, caçadores, romeiros tinham na rapadura com farinha uma provisão nacional. Em Minas, melado com farinha e, mais tarde, com queijo, tornou-se receita consagrada de geração em geração. Surgia a sobremesa, que nativos e africanos desconheciam, reproduzindo-se e recriando-se doces que já eram parte da tradição portuguesa, adicionados a elementos nacionais como amendoins e castanhas nativas, pacovas (bananas da terra), cajus, araçás e ananases. As compotas aproveitaram as frutas nativas e aquelas que o português trouxe para os quintais brasileiros.
Misturas finas
Nas casas, no cotidiano, a lógica da economia de tempos difíceis impôs os alimentos cozidos e o aproveitamento de tudo, inclusive das sobras, gerando composições igualmente saborosas. As farofas e as sopas aproveitavam as sobras de carnes, legumes, feijões e verduras, que ainda compõem o cardápio do mineiro contemporâneo. O mexido, uma mistura de tudo que sobrou, era comido na primeira refeição da manhã, antes da saída para a lida ou no jantar. Esse prato perdura ainda hoje, sobretudo em fazendas, no interior de Minas Gerais ou nas madrugadas da capital mineira, em muitos restaurantes de cardápio mais popular e nos botecos.
O lombo, a leitoa e a galinha assados eram pratos de festa, de domingo, de visitas. Na intimidade do dia-a-dia, os cozidos predominavam: o feijão, o angu, o mexido, verduras e legumes cozidos, ou os legumes com carne, frango com quiabo, por exemplo, mandioca e canjiquinha com carne, podendo ser costela ou suã de porco, costela de vaca e outros.
Pés no chão, olfato na cozinha
Leite em abundância, queijos variados e ovos possibilitaram a ampliação das quitandas e doces - legados da tradição portuguesa. A canjica com leite era sobremesa constante nas fazendas e, em algumas casas, era a ceia mais apreciada antes de se deitar. Com o acréscimo do amendoim, fez-se a nossa canjicada. A carne de vaca se tornou mais presente na mesa mineira, mas demorou um século para substituir o costume de consumir, preferencialmente, carne de frango e de porco, que ainda hoje predominam nos pratos típicos. A presença do café também se tornou definitiva. O bule no fogão a lenha é um forte elemento do cenário da cozinha mineira, onde o café, sempre quentinho, era servido acompanhando as quitandas, no encerramento das refeições, ou na primeira refeição do dia, adoçado com rapadura.
Quitandas e queijos
Em Minas, o queijo, que hoje é uma das mais fortes identidades culinárias do Estado, foi importado de outras regiões do país, até o final do século XVIII. No cardápio do início do século XIX, os queijos apareciam citados à sobremesa, acompanhando doces ou como complemento de ceias noturnas. No café da manhã, acompanhavam farinha, café, ou angu com leite. A expansão do consumo de queijo em Minas ocorreu como conseqüência da necessidade de se aproveitar o leite nos locais da província onde se intensificava a pecuária. Hoje, o queijo de Minas ou frescal é iguaria mineira disputada por turistas de todo o país e artigo vendido nos aeroportos quase como um souvenir da cultura gastronômica regional.
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Identidades mineiras
Onde o mineiro estiver ele carrega consigo as nossas identidades. Seja no jeito de falar, de e expressar ou nos gostos, principalmente, culinários. Em termos de comida, o mineiro é exigente. (na foto abaixo do Deocleciano Mundim uma tradicional venda antiga em Lagoa Formosa MG. A venda ficou mais atraente ainda com o velho orelhão da Telemig e duas bicicletas bem antigas)
O mineiro sabe perfeitamente identificar um queijo mineiro de verdade. Se o pão de queijo não é de Minas Gerais, só de olhar ele já sabe. Nem precisa experimentar. Se a comida é realmente mineira, feita de acordo com as tradições culinárias de Minas, ele percebe facilmente. Isso se chama identidade com Minas Gerais, coisa que só mineiro entende. Está na alma mineira.
Quem é mineiro é facilmente identificado por essas identidades.











Outro costume que hoje quase ninguém se lembra, era a forma de gelar cerveja no século passado. No interior mal tinha energia elétrica naqueles tempos, quem dera geladeira. Mas tinham quem não dispensava uma cervejinha de vez em quando. A forma de mantê-la fria era bem simples. Pegavam as garrafas e as enterravam nos bancos de areia às margens dos rios e ribeirões. Assim elas ficavam frias e dependendo da época, como no inverno, bem geladas. Interessante não?











