segunda-feira, 10 de abril de 2023

Sertão, e sua famosa Ilha do Ferro (AL)

 


A primeira vez que eu viajei à Ilha do Ferro foi pra entrevistar seu Fernando Rodrigues. Era um dia de domingo e para chegar ao destino, navegamos pelo Rio São Francisco até a casa do sertanejo que fabricava cadeiras aproveitando o design das árvores do mangue, com poemas e frases feitas à faca nos assentos. Nos idos 90 ele era um ilustre desconhecido, mas já admirado pela artista plástica Maria Amélia Vieira e pelo fotógrafo Celso Brandão.  Muito simpático, quando me viu, ele logo disse: “Domingo é dia de festa, não posso perder, e já tem barco esperando ”, comentou.

Começo minha resenha assim porque quem vai viajar até a Ilha do Ferro, de preferência deve programar de segunda a sábado, porque o povo deste local é de artistas, bordadeiras e verdadeiros anfitriões, mas que amam uma festa e não costumam perdê-las por nada.

Arquitetura da Ilha do Ferro, e o céu do Sertão alagoano

O povoado da cidade de Pão de Açúcar é simples, tem uma pousada, algumas casas de aluguel, e apenas uma bodequinha que vende cachaça, cerveja e o melhor quebra –queixo da região feito com esmero pelo Zé Bobô. E se o barco chegar da pesca, e se tiver (eu fiz isso), compre pitu fresquinho e outros peixinhos de água doce.

Melhor quebra-queixo da região é feito pelo Zé Bobô, tradição de 20 anos

Mas  ir até a Ilha do Ferro é pra quem aprecia arte popular, os bordados Boa Noite, e, pode ter certeza, tem artista por todo o povoado para “fazer o que dá na telha” . Também é para contemplar a beleza do Rio São Francisco,  a  arquitetura, os barquinhos, e tem lugar para sentar na pracinha e vê a vida passar, calmamente.

A Ilha do Ferro ficou famosa graças ao seu maior artista, Fernando Rodrigues, que, no auge de seus 70 anos, criou mesas, cadeiras e bancos rústicos aproveitando as formas orgânicas de troncos e raízes, colhidos no próprio povoado. Ele tinha o hábito de desafiar os seus amigos a fazer bancos, e todos  os que aceitaram a provocação do mestre viraram escultores de mão cheia.


Seu Fernando e suas criaturas e bancos saíram da Ilha do Ferro pelo Brasil a fora. E a Ilha do Ferro ficou famosa graças ao sertanejo

Já Aberaldo, também da Ilha do Ferro, fez sua própria carreira solo com seus pássaros e bonecos (pequenos e gigantes), igualmente aproveitando as formas naturais dos troncos.

Obra de arte de Aberaldo da Ilha do Ferro para Galeria de Arte pelo Brasil a fora

Então, além de mergulhar no Rio São Francisco, passear de barco, comer quebra queixo, siga o roteiro dos artistas da Ilha do Ferro:

Domingos Sálvio Rodrigo assina como D.S.R. Desempregado do canavial é um dos escultores mais novo e talentoso na Ilha

Bancos e aves ficam em exposição na casa de D.S.R

A pequena ave criação do Vandinho
 
Valmir, genro do seu Fernando, herdou o talento e cria bancos inusitados

Dona Morena, com mais de 90 anos borda Boa Noite, faz bonecas e uma contadora de história única

A onça e seu autor Faguinho

Galinha do seu Jailton

Zé Crente, e sua obra Gata Borralheira

O belo calango, do Eraldo

Atelier de taipa do André, em cima do morro, tem a mais bela visão da Ilha do Ferro

Os maravilhosos pitus fresquinhos do Rio São Francisco

Peixe do peixe Cari (do Rio São Francisco) preparado pela família do Valmir

Peixe cari, tradição do Rio São Francisco

Bordado Boa Noite, uma tradição da Ilha do Ferro e sempre conta com o apoio do Sebrae

Os barquinhos e o Rio São Francisco


Texto extraído de: https://www.nidelins.com.br/2018/01/06/sertao-e-sua-famosa-ilha-do-ferro/
Fonte Imgem: https://www.nidelins.com.br/2018/01/06/sertao-e-sua-famosa-ilha-do-ferro/


segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Trabalhos em pedra e ofício da cantaria na Zona da Mata mineira


Ponte da E. F. Dom Pedro II, construída sobre o Rio Paraibuna em Sobragi, município de Belmiro Braga, MG, entre 1873 e 1874

Trabalhos em pedra realizados na Zona da Mata Mineira com ênfase na cidade de Juiz de Fora seus diversos períodos de formação. Apresenta uma perspectiva histórica capaz de propiciar conhecimento de determinadas mudanças e/ou características que aparecem em obras realizadas com diferentes rochas e técnicas, em especial relacionadas ao ofício da cantaria.


 

 Trabalhos de cantaria na escada e varanda da sede da Fazenda Ribeirão das Rosas no município de Juiz de Fora, MG, 1751

 
Igreja Matriz de São José do Rio Preto na Vila de São José das Três Ilhas, município de Belmiro Braga, MG


Fonte Imagem: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistageonomos/article/view/11663

Criar, Cantar e Dançar: reflexões etnográficas do Guerreiro – folguedo alagoano

 

O Guerreiro é um dos vários folguedos existentes no Estado de Alagoas. A princípio, foi classificado como auto natalino, no entanto, pode ser manifestado no decorrer do ano. O Guerreiro é considerado pelos mestres e brincantes uma brincadeira católica, possuindo cinco partes principais: Abertura de Sede, Louvação ao Divino, Peças, Embaixadas e Despedidas. Cada brincante é responsável por um personagem, sendo encontrados nesta pesquisa: Rainha, Palhaço, Mateus, Lira, Embaixadores e as figuras, além do mestre e do contramestre. Este estudo etnográfico teve como interesse conhecer a realidade de dois grupos de Guerreiros, localizados na cidade de Maceió/AL. Os objetivos foram analisar como mestres e brincantes organizam internamente esta brincadeira e como se estabelecem as relações dos grupos com a sociedade, através do Registro do Patrimônio Vivo e dos convites públicos de eventos e apresentações. Procuro, neste trabalho, conhecer e refletir sobre como esse folguedo se organiza na contemporaneidade, seus valores simbólicos e seus compromissos. O estudo dos Guerreiros a partir de sua organização interna, através de meu convívio com os sujeitos envolvidos na pesquisa, me fez conhecer e refletir sobre as decisões, desafios e interações cotidianas do folguedo.



Fonte Imagem: https://projetoalagoas.com/a-alegria-e-representatividade-do-guerreiro/