sexta-feira, 19 de maio de 2023

AGUARATERRA: De carros, bois e sonhos



 E naquela tarde de sol
caminhavam o carreiro, o carro e os bois
No mantra do som encantado,
naquela tarde de calmaria,
caminhavam juntos a estrada, os bois, o carro e o carreiro
Na minha memória apertada, apartada e profunda
sou o menino candeeiro daquele carro de tantos cantos
Pelas estradas de terra, de Minas e sonhos
agora somos uma coisa só:
estrada, gente, bicho
 e aquele carro que teima em continuar a cantar dentro de mim...


De carros, bois e sonhos
Frederico do Valle


Fonte Imagem: 
http://ermiracultura.com.br/2016/07/04/a-fe-a-estrada-e-os-bois/

Anatomia do carro de boi

O Carro de Boi representa uma das formas mais primitivas de transporte de cargas e pessoas nas roças dos rincões brasileiros. Foi muito popular da época do Brasil Colonial até a proclamação da República. Com o tempo, os motores foram tomando seu lugar.

Ele é utilizado desde os tempos mais remotos, mas no Brasil, popularizou-se com os engenhos de cana-de-açúçar para o transporte da cana para as moendas dos engenhos. Durante séculos transportou variados alimentos e pessoas pelos rincões brasileiros, sendo um item muito importante, que presenciou muitas lutas e transformações ao longo dos anos.

O carro de boi pode ser puxado por uma ou duas juntas de boi e guiado por um carreiro, que estabelece a velocidade dos animais à frente do carro.


Itens que compõem o carro de boi:

  •  Uma grande mesa de madeira;
  •  Eixo que liga as duas rodas e sustenta a grande mesa de madeira;
  •  Fueiro, que são peças de madeira, que são acopladas à mesa de madeira e serve para colocar mais carga no carro;
  •  Duas rodas grandes de madeira, que possuem um anel de ferro que visa a resistências das rodas;
  •  Cabeçalho que liga a mesa de madeira à canga que prende os bois junto ao carro;
  •  Canga, peça de madeira, com aproximadamente um metro de comprimento, que possui forma anatômica para encaixar no pescoço do boi;
  •  Canzil, peças que aos pares atravessam a canga para fixá-la ao pescoço de cada boi;
  •  Brocha, correia de couro que prende a canga ao pescoço do boi;
  •  Grade que se apoia no eixo;
  •  Tamoeiro, peça em tiras de couro trançadas, no centro da canga, para ligá-la ao cabeçalho ou cambão;
  •  Ajoujo, tira de couro presa em argolas nos chifres dos bois emparelhados nas cangas para manter a distância entre eles;
  •  Fueiro, estacas de madeira colocadas sobre as chedas para amparar as esteiras laterais ao carro;

O carro de boi é fabricado em madeiras resistentes tais como pau d'arco, a aroeira, a sucupira e a carnaubeira. Ele ainda é utilizado em várias regiões brasileiras, principalmente nas roças para transporte de colheitas para guardá-las em paióis, que são locais que ficam nos terreiros; e abrigam as colheitas anuais, que alimentam as famílias.

Em muitos locais que têm o turismo rural como atração ele serve de alternativa de entretenimento para os visitantes; ou ainda como ornamentação de espaços rurais.


Texto extraído de: https://www.mur.com.br/blog/historia-do-carro-de-boi

Fonte Imagem: https://www.mur.com.br/blog/historia-do-carro-de-boi


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Caipira

 



Texto extraído de: https://mundocaipira.com.br/caipira/
Fonte Imagem; https://mundocaipira.com.br/caipira/



segunda-feira, 10 de abril de 2023

Sertão, e sua famosa Ilha do Ferro (AL)

 


A primeira vez que eu viajei à Ilha do Ferro foi pra entrevistar seu Fernando Rodrigues. Era um dia de domingo e para chegar ao destino, navegamos pelo Rio São Francisco até a casa do sertanejo que fabricava cadeiras aproveitando o design das árvores do mangue, com poemas e frases feitas à faca nos assentos. Nos idos 90 ele era um ilustre desconhecido, mas já admirado pela artista plástica Maria Amélia Vieira e pelo fotógrafo Celso Brandão.  Muito simpático, quando me viu, ele logo disse: “Domingo é dia de festa, não posso perder, e já tem barco esperando ”, comentou.

Começo minha resenha assim porque quem vai viajar até a Ilha do Ferro, de preferência deve programar de segunda a sábado, porque o povo deste local é de artistas, bordadeiras e verdadeiros anfitriões, mas que amam uma festa e não costumam perdê-las por nada.

Arquitetura da Ilha do Ferro, e o céu do Sertão alagoano

O povoado da cidade de Pão de Açúcar é simples, tem uma pousada, algumas casas de aluguel, e apenas uma bodequinha que vende cachaça, cerveja e o melhor quebra –queixo da região feito com esmero pelo Zé Bobô. E se o barco chegar da pesca, e se tiver (eu fiz isso), compre pitu fresquinho e outros peixinhos de água doce.

Melhor quebra-queixo da região é feito pelo Zé Bobô, tradição de 20 anos

Mas  ir até a Ilha do Ferro é pra quem aprecia arte popular, os bordados Boa Noite, e, pode ter certeza, tem artista por todo o povoado para “fazer o que dá na telha” . Também é para contemplar a beleza do Rio São Francisco,  a  arquitetura, os barquinhos, e tem lugar para sentar na pracinha e vê a vida passar, calmamente.

A Ilha do Ferro ficou famosa graças ao seu maior artista, Fernando Rodrigues, que, no auge de seus 70 anos, criou mesas, cadeiras e bancos rústicos aproveitando as formas orgânicas de troncos e raízes, colhidos no próprio povoado. Ele tinha o hábito de desafiar os seus amigos a fazer bancos, e todos  os que aceitaram a provocação do mestre viraram escultores de mão cheia.


Seu Fernando e suas criaturas e bancos saíram da Ilha do Ferro pelo Brasil a fora. E a Ilha do Ferro ficou famosa graças ao sertanejo

Já Aberaldo, também da Ilha do Ferro, fez sua própria carreira solo com seus pássaros e bonecos (pequenos e gigantes), igualmente aproveitando as formas naturais dos troncos.

Obra de arte de Aberaldo da Ilha do Ferro para Galeria de Arte pelo Brasil a fora

Então, além de mergulhar no Rio São Francisco, passear de barco, comer quebra queixo, siga o roteiro dos artistas da Ilha do Ferro:

Domingos Sálvio Rodrigo assina como D.S.R. Desempregado do canavial é um dos escultores mais novo e talentoso na Ilha

Bancos e aves ficam em exposição na casa de D.S.R

A pequena ave criação do Vandinho
 
Valmir, genro do seu Fernando, herdou o talento e cria bancos inusitados

Dona Morena, com mais de 90 anos borda Boa Noite, faz bonecas e uma contadora de história única

A onça e seu autor Faguinho

Galinha do seu Jailton

Zé Crente, e sua obra Gata Borralheira

O belo calango, do Eraldo

Atelier de taipa do André, em cima do morro, tem a mais bela visão da Ilha do Ferro

Os maravilhosos pitus fresquinhos do Rio São Francisco

Peixe do peixe Cari (do Rio São Francisco) preparado pela família do Valmir

Peixe cari, tradição do Rio São Francisco

Bordado Boa Noite, uma tradição da Ilha do Ferro e sempre conta com o apoio do Sebrae

Os barquinhos e o Rio São Francisco


Texto extraído de: https://www.nidelins.com.br/2018/01/06/sertao-e-sua-famosa-ilha-do-ferro/
Fonte Imgem: https://www.nidelins.com.br/2018/01/06/sertao-e-sua-famosa-ilha-do-ferro/