domingo, 20 de dezembro de 2020

Percepção e Experiência Poética: estudo para uma análise de “Campo Geral”, de J. Guimarães Rosa








Esta dissertação de mestrado faz uma análise da novela “Campo Geral”, de Guimarães Rosa, considerando a percepção sensorial da personagem Miguilim. Antes, porém, há um estudo sobre a percepção sensorial na obra de Rosa, em que se consideram algumas idéias do filósofo Merleau-Ponty. Analisam-se trechos de Boiada (anotações que Guimarães Rosa fizera em sua viagem pelo sertão), além de passagens retiradas de “São Marcos”, “A hora e a vez de Augusto Matraga” e Grande Sertão:Veredas. Discute-se, sobretudo, a relação entre a percepção sensorial das personagens e o caráter poético da linguagem de Rosa. Inclui-se, nesse estudo, também a relação entre o corpo da palavra e o corpo do leitor. Na análise da novela “Campo Geral”, trabalha-se com a experiência do visível. O olhar míope da personagem Miguilim revela uma experiência de ordem poética e de resistência a um mundo que reduz o corpo a um instrumento de trabalho. Por fim, analisa-se a formação de Miguilim como contador de estórias. Essa atividade elabora sentidos para as percepções sensoriais da personagem e mostra ser recurso importante no enfrentamento da morte e na afirmação da alegria, temas fundamentais de “Campo Geral”.

Para acessar a dissertação completa: https://core.ac.uk/download/pdf/296836246.pdf

Grande sertão, 60 anos (2017)

 




Dossiê Guimarães Rosa

 


Hoje, depois de vinte anos de andanças pelo sertão de Minas, no rastro das estórias de Guimarães Rosa, é essa a frase que abre o primeiro folheto de divulgação desse sertão, pelo Circuito Guimarães Rosa.

Para acessar o artigo completo: http://www.scielo.br/pdf/ea/v20n58/01.pdf

domingo, 6 de setembro de 2020

Do angu ao leitão (Parte 5 - Final)

 Para fecharmos esta série, segue o vídeo #praentender A comida mineira inspirado nos livros 'História da arte da cozinha mineira por Dona Lucinha', de Maria Lúcia Clementino Nunes e Márcia Clementino Nunes' e 'Feijão, angu e couve', de Eduardo Frieiro.


Fonte Vídeo: https://www.em.com.br/app/noticia/90-anos/2018/08/07/interna_90_anos,978423/praentender-video-explica-a-historia-da-comida-mineira.shtml

Do angu ao leitão (Parte 4)

 A relação entre a culinária mineira e o desenvolvimento de Minas Gerais no século XVIII


Artigo de:
Daniela Almeida Raposo Torres - Universidade Federal de São João Del Rei/UFSJ
Bruna Lívia Martins - Universidade Federal de São João del-Rei/UFSJ
Amanda Almeida Raposo - Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG

Este trabalho tem como objetivo demonstrar, através deanálise histórica ede dados estatísticos, a influência da atividade econômica mineratória nas Minas Gerais do século XVIII no desenvolvimento da culinária mineira.Destaca-se também o uso da análise espacial para identificar o impacto da mobilidade demográfica, do processo migratório e ocupacional durante este período e suas influências sobre a constituição da culinária mineira. Esta demonstração será iniciada pelos aspectos econômicos e sociais de Minas Gerais no século XVIII e finalizadapelas análises sobre a formação da culinária mineira eda sua importância na história e na cultura de Minas Gerais.

Para acessar o artigo completo: https://diamantina.cedeplar.ufmg.br/portal/download/diamantina-2016/238-402-1-RV_2016_10_09_00_44_19_376.pdf



Fonte Figura:
https://m.facebook.com/PontoMineiroFoz/photos/a.161881437290621/1834928683319213/?type=3&refsrc=http%3A%2F%2Fwww.google.com%2F&_rdr


Do angu ao leitão (Parte 3)

A culinária caipira da Paulistânia - a história e as receitas de um modo antigo de comer 


Artigo de Arilson Favareto - Universidade Federal do ABC/UFABC



Fonte Figuras: https://saopaulosao.com.br/conteudos/recomendados/4136-a-culin%C3%A1ria-caipira-da-paulist%C3%A2nia-resgata-a-hist%C3%B3ria-e-as-receitas-de-um-modo-antigo-de-comer.html#

Do angu ao leitão (Parte 2)

"Muito comumente, as pessoas tinham ouro. E não o que comer."
No texto a seguir, Blima Bracher trata do tropeirismo e da surgente cozinha mineira...



Texto extraído de: https://blimabracher.uai.com.br/gastronomia/receitas-e-historias/origem-do-feijao-tropeiro-e-da-gastronomia-em-minas/
Fonte Figura: https://tecnonoticias.com.br/blogs/cozinhafacil/noticias/feijao-tropeiro/ 


Origem do feijão tropeiro e da gastronomia em Minas

Minas começa sua história com a corrida pelo ouro no final do século XVII e início do século XVIII na região de Ouro Preto; e pelos diamantes, em Diamantina. As pessoas se enriqueciam rápido e a noticia de ouro em abundância trouxe milhares de forasteiros em busca do metal. Pouca comida para muita gente, agravada pela natural dificuldade de transporte, vindos os alimentos sempre de longe, carregados pelos tropeiros. Se os bolsos estavam cheios, o estômago estava vazio.

Cito aqui trecho do livro “Ouro Preto –Olhar Poético”, escrito por meu pai, Carlos Bracher: “De maneira geral, a questão alimentícia era gravíssima. Segundo ditado popular da época, “farinha serve para três coisas: engrossa o fino, esfria o quente, aumenta o pouco”. Os cereais vinham da região de Ouro Branco e as carnes do sertão mineiro, vindas em boiadas desde a Bahia ou até mesmo do Rio Grande do Sul. Muito comumente, as pessoas tinham ouro. E não o que comer.”

Entra em cena a figura do tropeiro, que vinha em mulas carregadas de charque do sul ou da Bahia, toucinho, farinha de milho e feijão. Eles andavam com grandes caldeirões, e durante a viagem, misturam estes ingredientes secos (para não azedaram), acrescidos de sal e alguma erva fresca que encontrassem pelo caminho. Surgia assim o famoso feijão tropeiro.

Aos poucos começa-se a criar galinhas e a se plantar couve e verduras. Uma plantinha que era comestível e que crescia em torno das igrejas era muito apreciada durante os longos sermões. Daí o nome ora-pro-nobis.

Voltamos aqui a citar Carlos Bracher, em “Ouro Preto –Olhar Poético”: A culinária mineira, de procedência direta portuguesa, teve ainda influência chinesa (nos guisados, no uso do frango e especiarias de ricos sabores). Inusitada e riquíssima vem a ser a contribuição da culinária africana, emprestando à comida um paladar forte e picante, à frente a feijoada e o bambá-de-couve, podendo ser com-jaleco ou sem-jaleco, isto é, com ou sem carne. Mas os pratos clássicos em Minas são o tutu à mineira (engrossado com farinha), o feijão tropeiro (feito pelos viajantes), o frango ao molho pardo e o frango com quiabo, feitos em panela de pedra-sabão e no fogão à lenha.As saladas não foram muito incrementadas, em parte pela terra mineral, ruim. Só a couve foi mais usada (junto ao angu e nas feijoadas) e o ora-pro-nobis, plantados nos quintais caseiros, onde também se cultivavam salsinha, cebolinha e os chás de várias espécies.”

Os doces tinham lugar de destaque e eram variados: o doce-de-leite, o arroz-doce, a goiabada, a marmelada e o pé-de-moleque, mexidos em grandes tachos de cobre. A rapadura e a cachaça eram muito consumidas. O queijo tinha uso diário nas mesas e todas as fazendas o produziam..