domingo, 4 de julho de 2021

Viola-de-cocho pantaneira: história e memória

A proposta do artigo é rastrear a história e o contexto cultural da viola-de-cocho, instrumento que se instituiu como símbolo da cultura popular nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, alçado a patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Há mais de dois séculos, constitui a base sonora do cururu e siriri, fonte de representação da alegria e religiosidade do povo dessa extensa e dilatada região. A partir da análise de documentos organológicos reconstituímos os possíveis caminhos da viola-de-cocho até o modelo que se propõe na contemporaneidade. Argumentamos que isto possibilitou, em parte, a plasticidade e a capacidade de aglutinação do instrumento graças a sua própria capacidade de se difundir e perfazer através da diáspora humana.



Fonte Figura: IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional


“Calango tango no calango da lacraia" - Intelectuais, Cidadania e Cultura Política


 O  presente  texto  trata  de  uma  manifestação  cultural   que  recebeu  pouquíssima  atenção  da bibliografia  especializada,  denominada  Calango.  No Calango,  os  agentes  sociais  que  o  praticam vêem  uma  oportunidade,  através  de  muita  irreverência,  de  ação  e  contestação  política,  cantando  o seu  cotidiano  e  dando  a  sua  opinião  sobre  a  situação  da  comunidade  através  de  versos  cantados  e desafios. O artigo é ao todo divido em cinco partes. Uma introdução, onde serão colocadas algumas considerações iniciais e questões que perpassarão por todo ele. A segunda parte (Mas, enfim, o que é o Calango?) apresenta uma breve descrição de como se caracteriza um Calango. Na terceira parte (O Calango  pelo  olhar  folclorista)  demonstraremos  como  o  Calango  foi  percebido  e  estudado  por folcloristas  e  intelectuais.  A  quarta  parte  (Versos,  Linhas  e  Rimas) faremos  uma  análise  de  alguns versos  e  rimas.  E,  por  fim,  uma  quinta  parte  (Afinal,  Calango  Rima  com  cultura  política?)  onde encerramos  o  artigo  através  de  uma  indagação:  será que  o  Calango  rima  com  os  conceitos  de cidadania e cultura política?

A poética do improviso: prática e habilidade no repente nordestino


 
O presente estudo aborda o repente ou cantoria, modalidade de poesia cantada e improvisada praticada na região Nordeste do Brasil, especialmente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Seus praticantes são chamados de repentistas, cantadores ou violeiros e cantam sempre em dupla, alternando-se na composição de estrofes de acordo com parâmetros rígidos de métrica, rima e coerência temática. Há um conjunto de regras formuladas nesse sentido, mas os repentistas improvisam seus versos a partir de fundamentos práticos como o ritmo poético incorporado. O improviso coloca o repentista em relação com modelos estéticos como o ritmo da poesia, os padrões melódicos e as regras da cantoria, ao mesmo tempo em que o põe em diálogo com o outro cantador e com as demandas e reações da platéia. O improviso, portanto, não é apenas a criação poética, mas também o desenrolar de um jogo de interação dos poetas com os outros sujeitos na situação da cantoria. O elemento central da cantoria é a disputa entre dois cantadores, que se pauta em valores relativos à construção da masculinidade, e pela qual os poetas constroem sua imagem pessoal e seu prestígio. O caminho escolhido para a análise dessa arte é a antropologia da prática, buscando compreender a relação entre ação e estrutura, e a reprodução das formas da vida social por meio das práticas. Um ponto metodológico relevante na realização desta pesquisa foi o aprendizado da cantoria como estratégia etnográfica. Dessa maneira, são abordados o campo social da cantoria, a diferenciação e a reciprocidade entre cantadores, a formação do cantador, as habilidades do improviso poético e o ritual da disputa entre cantadores.

Para acessar a tese na íntegra: https://livros01.livrosgratis.com.br/cp110987.pdf


Os fios da trama: grandes temas da música popular tradicional brasileira


 
Nos cantos, danças e folguedos populares brasileiros, podemos encontrar um feixe de motivos entrelaçados, padrões multicores de um tecido de que conviria procurar e acompanhar cada um dos fios aí urdidos e tramados, agrupando-os segundo sua textura ou coloração. Essas diferentes linhas temáticas, os fios da trama das expressões artísticas e religiosas do povo brasileiro são o assunto deste artigo, que procura analisar formas culturais caracterizadas pela hibridação, as quais transitam muitas vezes na ambiguidade entre resistência e aceitação de um padrão cultural dominante. O dinamismo dos arranjos de um certo número de motivos condutores recorrentes no âmbito da cultura de tradição oral brasileira nos leva a especular sobre os processos de formação de suas práticas artísticas, bem como sobre sua circulação num país de dimensões continentais.

Para acessar o artigo na íntegra: 


Entrevista com Carlos Rodrigues Brandão



As culturas não são desiguais, não há uma hierarquia, as culturas indígenas não são culturas rústicas, ou sertanejas, empobrecidas e as culturas rústicas e sertanejas não são culturas civilizadas empobrecidas. Elas são culturas diferenciadas, a relação entre elas é uma relação entre diferenças.

Para acessar a entrevista na íntegra:


Bandeira de Aço: música, identidade e cultura popular no Maranhão


No Maranhão, desde os anos 1980, criou-se pelos meios de comunicação de massa o denominativo música popular maranhense para definir a produção musical dos compositores e intérpretes maranhenses após o lançamento do LP Bandeira de Aço, gravado por Papete, em 1978, e lançado pelo selo Discos Marcus Pereira. O disco serviu de referência para que surgisse um movimento de artes integradas à base da autenticidade do modo de vida maranhense, condensando-se no esforço estético, artístico, político e cultural, de musicalidade regional, mas inserida na proposta de ser uma expressão poético-musical brasileira. Fundamentada em teóricos como Pierre Bourdieu, Renato Ortiz, Raymond Williams, esta pesquisa quer compreender de que maneira Bandeira de Aço serviu como símbolo de identidade cultural regional integrada à ideia de nação, acompanhando o fluxo e os movimentos em torno da estruturação da música popular brasileira (MPB), no trânsito entre o nacional-popular e a industrialização do mercado de discos. O primeiro capítulo aborda a transição das representações sobre identidade cultural no Maranhão, antes vinculada à tradição e cânones literários, até chegar às apropriações da cultura popular. O segundo capítulo discute como a música popular foi utilizada na construção social da ideia de nação brasileira, por meio do mercado de bens simbólicos e produtos culturais com o advento dos meios de comunicação de massa até a consolidação da indústria fonográfica na década de 70. O terceiro capítulo analisa o disco Bandeira de Aço, buscando compreender as relações de apropriação do material artístico (as canções) em produto comercial (o disco) e de que maneira ele serviu para estruturar o campo simbólico denominado de música popular maranhense.

Para acessar a dissertação na íntegra: 

Os Cocos

 

Livro conta com algumas partituras e letras. Dança popular nordestina, onde um cantador, "tirador de cocos" ou "coqueiro", tira versos em quadras, sextilhas ou décimas, respondidas por um coro. A origem do coco ainda é controversa, havendo aqueles que, como Mário de Andrade, o consideram de origem africana próxima ou remota.