quarta-feira, 11 de abril de 2018

(Abr 2017) Literatura e comunidades inspiram caminhada pelo sertão mineiro



A obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, é a inspiração para um grupo de caminhantes que irá percorrer a pé 178 km do sertão mineiro, no próximo mês de julho. E você está convidado. Em sua 4a edição, a jornada socio-eco-literaria “O Caminho do Sertão – de Sagarana ao Grande Sertão Veredas” vai promover um mergulho de oito dias na rica região do cerrado de Minas Gerais, que atualmente vive questões como a crise hídrica ou a ostensiva expansão agropecuária.

Percorrendo parte do percurso retratado em Grande Sertão: Veredas, no norte e noroeste de Minas Gerais, os participantes terão a oportunidade de conhecer culturas, comunidades tradicionais, povoados, assentamentos de reforma agrária e grandes fazendas do agronegócio; saberes e fazeres dos habitantes locais; histórias do povo sertanejo; refletir sobre a crise hídrica; e fazer uma jornada existencial.


 As inscrições para a caminhada estão abertas até o dia 30 de abril. Interessados devem ler e preencher o edi-TAO de participação, explicando o porquê do envolvimento com o tema. Cinquenta candidatos serão selecionados. A caminhada acontece entre 8 e 16 de julho.

A jornada pelo sertão mineiro, que nas três primeiras edições (2014, 2015 e 2016) fez um apelo para a questão socioambiental com o mote “Pelo cerrado e suas Culturas, de pé!”, nesta edição agrega ainda outro tema: os 120 anos do massacre de Canudos e a reflexão sobre as trajetórias ou caminhos populares interrompidos ao longo da história republicana do país.

O roteiro parte do distrito de Sagarana, no município de Arinos-MG, para chegar à cidade de Chapada Gaúcha. Em Sagarana, primeiro assentamento de reforma agrária da região, implantado na década de 1970, está situada a Reserva Biológica de Sagarana, onde ocorre periodicamente o Festival “Sagarana: Feito Rosa para o Sertão”. Não distante dali está Chapada Gaúcha, cidade sede do Parque Nacional do Grande Sertão Veredas e onde ocorre todo mês de julho o “Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas”.


Estão ainda no caminho o rio Urucuia (rio do amor), o Ribeirão de Areia, o Vão dos Buracos e o Liso do Sussuarão, suposto deserto do Grande Sertão: Veredas, percorridos pelo protagonista Riobaldo e seu bando.



Fonte:
http://viajarverde.com.br/caminhada-pelo-sertao-mineiro/

Bumba Meu Boi concorrerá ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade


Considerado Patrimônio Cultural do Brasil desde 2011, o Bumba Meu Boi, expressão emblemática do Maranhão, está mais próximo de ganhar uma nova distinção: o status de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Hoje, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) entregou ao Ministério das Relações Exteriores a candidatura do Bumba Meu Boi para concorrer ao novo título, que é conferido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Com esse passo, a previsão é de que a decisão sobre a inclusão do Bumba Meu Boi na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade seja anunciada já no começo do próximo ano. Segundo a presidente do Iphan, Kátia Bogea, a própria fundamentação documentada em forma de dossiê exigiu que os profissionais designados para a tarefa se voltassem à diversidade artística dessa manifestação.

Fazem parte do Bumba Meu Boi a brincadeira, a música, a dança e as artes cênica e plástica. A versão final do dossiê, que será enviado a Paris, acabou sendo composta por dois vídeos – um que aborda o que é o Bumba Meu Boi e outro só de depoimentos. Também foi desenvolvida uma pesquisa que detalha os elementos e reconta a história dessa arte desde os primórdios. 

“Ele [o Bumba Meu Boi] estava em todos os livros de registro, envolve tudo. Desde aquele primeiro momento, a gente percebia a diversidade e a complexidade dessa manifestação. Eu tenho certeza absoluta de que, pela beleza, por tudo que o boi representa, é uma manifestação que é a cara do Brasil, um país tão diverso”, disse Kátia. 


CULTURA POPULAR


Somente no Maranhão, o Bumba meu boi é difundido por mais de 400 grupos, em 79 municípios. No estado, que segundo Kátia “respira” e é “totalmente contaminado” diante das primeiras notas dos instrumentos, a manifestação é dividida em cinco estilos principais, conhecidos como sotaques: Matraca, Orquestra, Zabumba, Baixada e Costa-de-mão.

 “Você poderia fazer milhões de recortes no boi. O boi de Orquestra não tem nada a ver com o de Matraca, que não tem nada a ver com o Costa-de-mão. É uma diversidade tão grande, não só de coreografias, de musicalidade, religiosidade – tem os bois dos encantados, tem o boi ligado aos terreiros, tem o ligado à religião católica, o dos festejos de Minas Gerais. O boi é batizado, depois morre, ressuscita. O ano inteiro, esse ciclo do boi, que é a própria vida da gente”, completou.

Segundo Kátia, que é historiadora, maranhense e funcionária do instituto há 38 anos, para o povo de seu estado natal, o boi “é uma questão muito séria, que traduz a própria vivência das pessoas”. “A gente fala até em sociologia do boi, antropologia do boi.” Em outros pontos do país, como na região Sudeste, por exemplo, o Bumba Meu Boi muda de nome para Boi Pintadinho. Em Santa Catarina, se chama Boi de Mamão.

Fascinado pelo Bumba Meu Boi desde os 8 anos, o servidor do Banco Central Tarquínio Costa Cardoso, participante do Meu Boi do Maracanã, do Maranhão, e Seu Teodoro, de Brasília, disse considerar “sagrada” a alegoria do animal. Cardoso, que é integrante dos grupos há mais de 30 anos, acredita que o status, se concedido pela Unesco, trará mais condições de o trabalho ser divulgado e um orçamento menos apertado para o desenvolvimento das atividades. Foi por se envolver desde pequeno com o Bumba Meu Boi que ele chegou aos 65 anos sabendo tocar pandeiro, tambor-de-onça e matraca.


UNESCO


Caso o comitê responsável pela definição dê um parecer favorável, o Brasil passará a ter cinco bens reconhecidos sob a classificação, junto a Arte Kusiwa – Pintura Corporal e Arte Gráfica Wajãpi (2003), o Samba de Roda no Recôncavo Baiano (2005), o Frevo: expressão artística do Carnaval de Recife (2012), o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (2013) e a Roda de Capoeira (2014).

 “É um momento muito importante para que as pessoas respeitem a cultura afrobrasileira e não torçam o nariz para ela”, afirmou o presidente da Fundação Palmares, Erivaldo Oliveira da Silva, também otimista com a possibilidade de ampliação de recursos destinados ao Bumba Meu Boi. 

Silva ressaltou a sensibilidade do Iphan de legitimar o valor da cultura popular ao selecionar uma expressão de matriz africana para concorrer ao título, como anteriormente feito com o samba e a capoeira. Conforme explicou Kátia Bogea, o Iphan pode submeter somente uma única candidatura por ano e a escolha teve princípio em agosto de 2011.



Fonte:
http://brasiliadefato.com.br/cultura-e-entretenimento/2018/04/bumba-meu-boi-concorrera-ao-titulo-de-patrimonio-cultural-da-humanidade/

Cultura Popular: uma visão antropológica


Por Marco Oliveira

          A miscigenação racial no Brasil, de forma distinta, pelo negro, o branco, o índio, antevê a possibilidade de que a identidade sociocultural do povo brasileiro foi sem dúvida, a condição suprema para a nossa formação, principalmente no conjunto de valores culturais tão importantes e que marcam a nossa condição histórica, inclusive, no seu fundamento à homogeneidade cultural e lingüística.


          Muito antes da sua emancipação política e administrativa em idos de 1912, o município de Pirapora era habitado por indígenas da Tribo Cariri, que viviam da pesca abundante e da caça. Tanto o é, que o topônimo pira (salto), poré (peixe), ou “onde o peixe salta” representa através desta raça, a pujança do lugar.

          Contudo, vale salientar que Pirapora, motivada pela “saudosa” navegação do Rio São Francisco, sofreu uma grande intervenção sociocultural, enfaticamente de nordestinos, na sua maioria retirantes e aventureiros que procuravam terras férteis e prosperidade econômica satisfatória.

          Esses grupos dentro do contexto das relações sociais representam os estudos etnológicos, feitos por pesquisadores que acima de tudo, procuram desenvolver com exatidão não só o teor antropológico dos indígenas, como a própria formação do nosso povo, de forma sistematizada e generalizada, ou seja, através da análise e interpretação sucinta da nossa história singular.

          Mas, o que vem a ser a cultura popular? Segundo o Professor Antônio Henrique Weitzel da UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora, a cultura popular é tida como “...a cultura associada ao povo, ou seja, ao contrário da cultura erudita, não está ligada ao conhecimento científico, mas como parte integrante o conhecimento vulgar ou espontâneo, o popular senso comum. Considerada também como arte do povo, o tipo de linguagem acontece como uma espécie de luta pela sobrevivência e pode ser de massa ou tradicional”.

          Mas, o homem começou a se desenvolver culturalmente através das suas necessidades básicas, como o alimento para saciar-lhe a fome e o abrigo do corpo. Para fins didáticos, pode-se afirmar que a cultura nasceu com o homo sapiens.

          Nesse prisma, os grupos humanos se expandiram progressivamente, ocupando praticamente a totalidade dos continentes do planeta, a partir de uma origem biológica comum. O desenvolvimento dos grupos humanos se fez segundo ritmos diversos e modalidades variáveis, não obstante a constatação de certas tendências globais.

          Todavia, não devemos hierarquizar a cultura, até porque não há como conceber que haja uma cultura superior. Há culturas diferentes, não havendo nenhuma distinção quanto às suas características em face à realidade cultural de um povo ou de um grupo humano.

          Sendo a cultura a dimensão do processo social, é imprescindível que cada realidade cultural tenha sua lógica interna, sendo necessário relacionar a variedade de procedimentos culturais com os contextos em que são produzidos.

          A contribuição  no estudo das culturas advém da construção do fundamento histórico, seja como concepção ou como dimensão do processo social, sendo a cultura um produto coletivo da vida humana.

          E a tradição, como se aplica nesse contexto? Ora, a falsa idéia que se tem, é que a tradição é tudo aquilo que é velho e/ou antigo, mas esse é um conceito falso, vez que é aquilo que está sendo entregue ou transmitido, ou seja, a herança cultural, passada de uma geração pra outra, as crenças e técnicas.

          A cultura se divide em dois grupos distintos: a cultura de massa e cultura tradicional. A cultura de massa é aquela, onde as instituições dominantes têm de prover, e até mesmo criar as necessidades de multidões e de seus participantes anônimos, da mesma forma que desenvolvem mecanismos eficazes para controlar essas massas humanas, já a cultura tradicional, é tida como aquela que temos a necessidade de conhecê-la profundamente, dando-a a importância devida, até porque, representa a sabedoria de um povo, a sabedoria vulgar, ou a pedagogia da experiência, sendo regional e universal ao mesmo tempo.

          Na cultura popular reside a maior fonte de sabedoria do homem, do povo, é através dela, que iremos nortear e encontrar os fatos folclóricos ou manifestações folclóricas.

          O fato folclórico, por sua vez, compreende as maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservados pela tradição popular e pela imitação, dedicado à renovação e conservação do patrimônio histórico científico humano ou afixação de uma orientação religiosa ou filosófica. Sendo caracterizado face aos aspectos tradicional, funcional, vulgar ou popular, espontâneo, anônimo e oral, bem como a sua aceitação coletiva.

          São os diversos agrupamentos das espécies folclóricas, tendo em vista o seu futuro aproveitamento nas escolas, tais como: a literatura oral e linguagem popular; música folclórica; festas populares; recreação: arte, artesanato e técnicas populares; medicina popular; religiões, crendices e superstições; usos e costumes e alimentação.

          Porque citei Pirapora? Como um amante e estudioso da história local, e profundo conhecedor das raízes culturais do Alto Médio São Francisco, posso reafirmar a importância da cultura popular num contexto sociocultural e humano da nossa gente.

          Danças como o “Carneiro”, “Gamba”, “Lundu”, “Marujada”, e manifestações de louvor, como as “Folias de Reis” e “São Gonçalo”, além das lendas, mitos, contos, fábulas, parlendas, ciranda e causos, e claro o nosso artesanato em madeira, com destaque para as “carrancas”, dentre outras peças de renomado valor, representam a singularidade da nossa tradição, que vem sendo cultivada pelos ribeirinhos como uma rica demonstração da nossa potencialidade.



Fonte:
https://www.recantodasletras.com.br/artigos/803875
Fonte imagem:
http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/exposicao-bordado-reinventado-marca-dia-do-artesao-no-centro-de-arte-popular-cemig

Cultura popular: sua diversidade e importância



Nada é mais incisivo como marcador da identidade de um povo do que a cultura em que este povo mesmo se define. Sem ela, tal identidade simplesmente desaparece, dissolve-se, deixando ali, como consequência, uma amorfa massa humana. Daí ser imperativo o reconhecimento, incentivo e preservação da cultura popular de forma que as gerações futuras sintam-se não só herdeiras, mas também valedoras de gigantesco e precioso tesouro.

São elementos constitutivos da cultura popular os ritos, mitos, símbolos, folclore, todas as crenças, em suma, tudo aquilo que foi criado e conservado por aqueles que existiram antes nós. É o que forma nossa autoconsciência e o que permite que nos reconheçamos no lugar e pertença de nosso povo. Ademais, é sempre bom lembrar que é no ventre dos guetos, nas camadas pobres e interioranas que brotam as mais duradouras e valorosas manifestações dessa cultura.


 Não obstante o advento da globalização, que visa “derrubar” fronteiras e mundializar os espaços geográficos, algumas regiões brasileiras procuram preservar costumes e tradições. Sendo um país de dimensão continental e tendo como base principal da formação de seu povo o europeu, o negro e o índio, e com a chegada mais tarde dos japoneses, italianos, alemães e árabes, é natural haver no Brasil enorme variedade de culturas. Assim sendo, a pletora de culinárias, danças, religiões e festas, que caracterizam cada região do país, desenha, no conjunto, um complexo painel cultural.

As celebrações e festas populares como o Círio de Nazaré e o festival de Parintins no Norte; O bumba meu boi, o maracatu, o caboclinho e o frevo no Nordeste; as cavalhadas, a procissão do fogaréu, o caruru e os deliciosos pratos com os peixes do Pantanal destacam-se no Centro-Oeste; a Festa do divino, festejos da Páscoa e dos santos padroeiros, a peregrinação a Aparecida e o carnaval são marcas do Sudeste; com forte influência dos italianos, espanhóis, portugueses e alemães, o Sul nos dá a festa da uva (cultura italiana), a oktoberfest (cultura alemã), o fandango (influência portuguesa e espanhola), o pau de fita e congada; da culinária sulista, o churrasco e o famoso chimarrão, pirão de peixe, marreco assado e o bom vinho encerram essa síntese cultural brasileira.

Como se vê, nossa riqueza material e imaterial é de dimensão oceânica, o que impõe um incansável exercício de sua defesa e preservação. Todos, exatamente todos devemos cuidar de tal riqueza, pois é nela que estão resguardados os valores tão caros a nosso povo. Por outro lado, não bastam políticas públicas para este fim, é importante entender que a exacerbada valorização da cultura de massa, pautada no efêmero e no modismo de ocasião promove a nefasta confusão demoníaca, capaz de sepultar o que é sólido, perene e possuidor de real valor.



Fonte:
https://trendr.com.br/cultura-popular-sua-diversidade-e-import%C3%A2ncia-96446407feec

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Interesse moderno pelo folclore: nação e cultura no Mapa Musical do Brasil da gravadora Marcus Pereira


Artigo na íntegra, acessar http://journals.openedition.org/aa/297#tocto1n1



As décadas de 1960 e 1970 foram marcadas por debates acirrados no campo da chamada “Música Popular Brasileira”, que consolidava suas bases estética, ideológica e mercadológica. A MPB era então considerada um campo privilegiado para debates sobre a nacionalidade e a formação de uma cultura e de uma consciência nacionais modernas. Muita energia foi direcionada às tentativas de resolução de um “impasse” relativo aos caminhos de construção de uma canção capaz de traduzir e de mobilizar os brasileiros em torno de um projeto de nação. A incorporação por músicos e compositores brasileiros de elementos estéticos estrangeiros, sobretudo a influência de gêneros musicais norte-americanos como o jazz e o pop, era condenada por muitos como atitude alienante, e valorizada por outros como inovações fundamentais no desenvolvimento de uma “linha evolutiva”. 

Nesse contexto, a própria denominação desse gênero de música, com a dupla adjetivação de “popular” e “brasileira”, evidencia que a música midiatizada (formatada e difundida pela indústria fonográfica e do entretenimento) era considerada meio fundamental para mobilizar ideias e sentimentos de nacionalidade.

O presente trabalho versa sobre uma resposta construída a partir dessa tensão: o “Mapa Musical do Brasil”, um projeto de coleta, adaptação e mapeamento de gêneros musicais realizado pela gravadora Discos Marcus Pereira entre 1972 e 1976. Uma vez que a nação existe fundamentalmente enquanto representação, o interesse moderno pelo folclore enquanto “comunidade imaginada”, como diz Benedict Anderson (1989), apresento aqui uma análise da imagem de nação e da ideia de  nacionalidade brasileira articuladas na produção do Mapa.

“Mapa Musical do Brasil” foi o nome dado pela gravadora ao conjunto de quatro coleções de discos concebido entre 1972 e 1976: Música Popular do Nordeste (1972), Música Popular do Centro-Oeste/Sudeste (1974), Música Popular do Sul (1975) e Música Popular do Norte (1976), cada uma contendo quatro Lps acompanhados por textos e fotografias.1 Vale ressaltar que as coleções não apresentam qualquer ilustração cartográfica, seja do território nacional ou das regiões em questão. O termo “mapa” sugere uma apreensão abrangente das manifestações culturais brasileiras divididas por regiões geográficas e acaba por vincular as noções de território e cultura, preciosas às ideologias nacionalistas.

O Mapa traz estilos musicais “tradicionais” ou “folclóricos” considerados representativos de uma cultura nacional “autêntica” e diversificada – como frevo, fandango, modinhas, moda de viola, samba, samba de roda, cirandas, folia de reis, folia do Divino, cantos de religiões afro-brasileiras, carimbó, bumba meu boi, boi-bumbá, variedades de poesia popular, milonga, cururu, catira, tambor de crioula etc. Uma parte disso é composta de gravações de músicos “folclóricos” das diversas regiões do país. A outra é de reinterpretações feitas em estúdio por intérpretes profissionais – como Nara Leão, Elis Regina, Quinteto Violado, Clementina de Jesus, Renato Teixeira e Papete.

A Discos Marcus Pereira, sediada em São Paulo, funcionou do final de 1973 a fevereiro de 1981, deixando um acervo de aproximadamente 140 títulos. Samba, choro, música erudita de compositores brasileiros, MPB e música “folclórica” integram quase a totalidade desse catálogo. Atenho-me aqui à análise dos processos de produção das coleções do Mapa, que tinham o propósito de sensibilizar os ouvintes para a criatividade musical do povo, visto como fonte criadora de uma cultura verdadeiramente nacional.

Download dos Discos Marcus Pereira:
http://armazemmemoria.com.br/discos-marcus-pereira/


Fonte:
http://journals.openedition.org/aa/297#tocto1n1

sexta-feira, 6 de abril de 2018

A Cultura Popular


CULTURA POPULAR é o conjunto formado por todas as formas de expressão de um povo: fala, gestos, festas, literatura, música, dança, lendas, crenças, manifestações religiosas e artesanato, entre outras. Apesar de estar em constante transformação, essa cultura conserva tradições que são passadas de geração em geração e que funcionam como uma memória coletiva, revelando o imaginário das diferentes comunidades. 




No caso do Brasil, a cultura popular reflete a própria miscigenação racial do país, incorporando influências de diversos povos, principalmente europeus, africanos e indígenas. Entre as principais formas de expressão artística do cotidiano brasileiro, as festas populares podem ser consideradas um dos núcleos centrais, já que nelas encontramos danças, folguedos, ritmos e instrumentos musicais característicos. Além das festas, as lendas, os mitos e o artesanato também revelam aspectos típicos de cada região.

sábado, 17 de maio de 2014

Cultura para aplacar os tempos de intolerância

Hoje, brota esta iniciativa e opção pela Cultura Popular que busca e revela o Brasil Profundo. O ser, o pensar e o modo do povo de ver a vida. Resistência ao modo cultural massificador não compromissado com a terra.
Cultura para aplacar os tempos de intolerância.


"A cultura é como um veio d'água correndo escondido sob o solo, tornando secretamente a terra mais verde"
Tomas Carlyle



Imagem: Cerâmica de Mestre Vitalino

  

Fonte da Imagem: 
https://jornalggn.com.br/noticia/festa-junina-quadrilha-e-cultura-popular-nordestina